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Os investimentos nos estádios para a Copa do Mundo 2014

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Edição: Ano 23 nº 12 - 2014

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Para sediar a Copa do Mundo de 2014, o Estado brasileiro teve de oferecer garantias à Federação Internacional de Futebol (FIFA) e fazer reformas na sua legislação e no espaço urbano. Uma das intervenções previstas diz respeito à adequação dos estádios brasileiros ao que se convencionou chamar de “padrão FIFA”, tendo o Governo brasileiro direcionado parte importante do orçamento da competição para financiamentos que possibilitaram as reformulações dos parques esportivos.

Segundo dados do Portal da Transparência, o valor total investido chegou a R$ 25,6 bilhões. Ao contrário das declarações dos representantes brasileiros e dos dirigentes das federações envolvidas no torneio (Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e FIFA), o poder público foi o principal investidor, sendo o responsável direto por mais de 80% do total despendido na organização da Copa. Esse padrão de desigualdade entre recursos públicos e privados é ainda maior nos recursos relativos aos estádios, que representaram quase um terço do orçamento total: dos R$ 8 bilhões empregados nas arenas esportivas, aproximadamente, 95% tiveram como origem as instituições públicas, enquanto os outros 5% foram captados na iniciativa privada e nos clubes de futebol.

O principal agente de investimento público foi o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que, por meio do programa ProCopa Arenas, ofereceu financiamento de, no máximo, R$ 400 milhões para cada empreendimento. Apenas o Estádio Nacional de Brasília não foi financiado por esse programa. Os outros 11 projetos somaram quase R$ 4 bilhões em financiamentos, a serem amortizados em até 15 anos. Além dos estádios da Copa, o programa também financiou parte da Arena do Grêmio, em Porto Alegre.

Os governos estaduais arcaram com cerca de R$ 3,3 bilhões (grande parte desse valor também oriunda do finan-ciamento do BNDES). Somente o estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, de propriedade do Sport Club Internacional, e a Arena Corinthians, emSão Paulo,não receberam recursos de seus respectivos estados. Em sentido oposto, o Estádio Nacional de Brasília foi financiado integralmente, R$ 1,4 bilhão, por recursos do Governo distrital. Os governos municipais também tiveram participação, mesmo que reduzida em comparação com as outras esferas: a Prefeitura de Curitiba financiou a criação do projeto e algumas estruturas no entorno da Arena da Baixada, enquanto a Prefeitura de São Paulo garantiu incentivos fiscais da ordem de R$ 420 milhões para a Arena Corinthians, que sediou a abertura do torneio. Entre os clubes, apenas o Clube Atlético Paranaense aplicou pouco mais de  R$ 78 milhões, obtidos em empréstimos, na Arena da Baixada. Dois estádios contaram com recursos de empresas privadas: a Arena Mineirão (R$ 254,5 milhões investidos pela empresa Minas Arena) e o Beira-Rio (quase R$ 55 milhões investidos pela Andrade Gutierrez, em troca da exploração comercial do estádio durante 20 anos).

Portanto, as obras nos estádios da Copa tiveram como agente principal o Estado, que, por meio de diversas ações (aporte direto, empréstimos, renúncia e incentivo fiscal), garantiu a possibilidade de realização da competição futebolística no País.

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