Textos com assunto: construção civil

Construção civil: retração ou acomodação?

Por:

Edição: Ano 22 nº 04 - 2013

Área temática:

Assunto(s): ,

A indústria da construção civil, que vinha apresentando um forte dinamismo nos últimos anos, não repetiu esse comportamento em 2012. Uma das causas dessa desaceleração relaciona-se à expansão, aquém da esperada, dos investimentos públicos em infraestrutura. Conforme pesquisa do Sinduscon-SP/FGV/Ibre, o volume de recursos desembolsados pelo BNDES para esse tipo de obras foi de R$ 49,1 bilhões até setembro de 2012. Isso representa 12% a menos que os R$ 56,1 bilhões liberados entre janeiro e setembro de 2011.

A construção civil no RS também apresentou uma desaceleração em 2012, como mostra o Índice de Atividade da Construção, medido pelo Sinduscon-RS. O setor deu mostras de um desempenho elevado e sempre crescente nos anos 2009, 2010 e 2011. Entretanto, em 2012, após passar por instabilidades no primeiro semestre, a atividade iniciou uma trajetória descendente, sinalizando uma diminuição significativa no segundo semestre, embora ainda não se tenha a série completa.

Considerando a importância da construção civil — tanto pela geração de empregos como pelos efeitos em cadeia que é capaz de engendrar — é compreensível que o Governo Federal tenha tomado medidas para compensar o arrefecimento recente. Em dezembro de 2012, foram anunciadas reduções na tributação das empresas do setor, como a desoneração da folha de pagamento, no intuito de diminuir os custos de produção e estimular a contratação de mão de obra. Foi concedida também uma redução na alíquota do Regime Especial de Tributação (RET), que reúne vários impostos (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS). Adicionalmente, as empresas com faturamento anual de até R$ 50 milhões poderão se beneficiar de uma linha especial de crédito para capital de giro, junto à Caixa Federal, a juros de 0,94% a. m. e prazo de até 40 meses.

Em face dos incentivos governamentais diretos para o setor e das perspectivas que se anunciam positivas (manutenção de uma taxa de juros reduzida, investimentos em infraestrutura com vistas aos eventos esportivos internacionais e ampliação do Programa Minha Casa Minha Vida), é de se esperar que o arrefecimento reflita sobretudo um período de acomodação, quando o ritmo de atividade passaria por ajustes, porém ainda mantido num patamar bastante elevado.

Construção civil retração ou acomodação

Compartilhe

Mão de obra feminina na construção civil da Região Metropolitana de Porto Alegre

Por:

Edição: Ano 21 nº 12 - 2012

Área temática:

Assunto(s): , , ,

A indústria da construção civil sofreu forte expansão em período recente, sendo ela um dos setores com grande potencial gerador de empregos, sobretudo no meio urbano. Sua importância econômica está relacionada, portanto, ao mercado de trabalho, mas não somente a isso. A construção tem uma grande capacidade de contribuir com o dinamismo de muitos outros segmentos industriais e de serviços, além do elevado volume de recursos financeiros que mobiliza em suas operações.

Embora já se manifestasse em 2006, a retomada da atividade consolidou-se nos anos de 2007 e 2008, atingindo níveis de crescimento inéditos desde a desativação do BNH. Com oscilações de lá para cá — e um arrefecimento em 2012 —, a indústria da construção civil mantém-se dinâmica, contando com os importantes estímulos das políticas governamentais.

Nesse contexto, é de se esperar o aquecimento do mercado de trabalho, sobretudo levando-se em conta que se trata de um setor intensivo em mão de obra. Assim, a demanda por trabalhadores qualificados e não qualificados vem intensificando-se, e, mais recentemente, em função das obras relacionadas aos eventos internacionais que terão lugar no Brasil, a disponibilidade de mão de obra tende a constituir-se em um dos “gargalos” apontados pela classe empresarial.

A introdução da mão de obra feminina na construção é uma alternativa que, embora não solucione a falta verificada, traz uma inovação significativa, que é a inserção de mulheres num meio tradicionalmente masculino. Analisando a RMPA, com base nos dados de emprego formal da RAIS, constata-se que o percentual de mulheres empregadas na construção passou de 6,8% (2.658) em 2007 para 8,6% (6.047) em 2011. É claro que o contingente feminino ainda é pouco expressivo em relação ao total de empregados, porém cabe salientar seu crescimento.

A participação feminina nos canteiros de obras passa por qualificação e proporciona a reinserção de mulheres no mercado de trabalho. A proposta de cursos de capacitação no RS iniciou em Canoas, onde foi lançado, em 2006, o Projeto Mulher Aprendiz, uma iniciativa da Prefeitura em convênio com uma ONG. Esse tipo de ação expandiu-se e hoje está presente em diversas cidades gaúchas. A crescente procura por novos cursos levou essa iniciativa a se inserir no Programa Mulheres Construindo Autonomia, da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres da Presidência da República.

A tendência é que o trabalho feminino seja bem-visto pelas empresas do setor, que evocam as capacidades de organização, de observar detalhes, de evitar desperdícios, dentre outras, contribuindo para a minimização dos custos de produção.

No que diz respeito à remuneração, os dados para a RMPA, em 2011, indicam que a maior participação do contingente de empregadas é encontrada nas faixas de menor rendimento, sendo que a maior participação dos empregados se encontra em faixas de rendimento levemente superiores. Ou seja, na faixa de 1 a 1,5 salários mínimos, encontram-se 32,3% das mulheres e 19,6% dos homens. Embora não se tenham dados discriminados por função dentro do canteiro de obras, pode-se dizer que o contingente feminino está mais representado nas menores remunerações.

É inegável que a crescente participação de mulheres na construção representa um avanço no sentido de combater a discriminação profissional de gênero. Entretanto espera-se que isso não se faça em detrimento da igualdade de remuneração, o que seria um contrassenso.

Mão de obra feminina na construção civil da

Compartilhe

O emprego na construção civil: sustentando o crescimento

Por:

Edição: Ano 21 nº 04 - 2012

Área temática:

Assunto(s): ,

Beneficiado por políticas públicas de estímulo à economia — tais como a redução de alíquotas do IPI para produtos da construção civil, o aumento do financiamento habitacional, as obras de infraestrutura do PAC e o programa Minha Casa, Minha Vida —, o mercado de trabalho na construção civil, no Brasil, tem-se mostrado dinâmico nos anos recentes.

No período de fevereiro de 2011 a fevereiro de 2012, o emprego celetista na construção civil cresceu 8,1% no Brasil, contra os 4,7% do total do emprego e os 1,9% da indústria de transformação, aparecendo como o setor com o maior crescimento relativo, excetuando a extrativa mineral. No Rio Grande do Sul, observou-se um incremento um pouco maior (9,2%), ao passo que, na sua totalidade e na indústria de transformação, o emprego cresceu a taxas ligeiramente inferiores às do Brasil.

A forte desaceleração que atingiu o emprego formal nos dois primeiros meses de 2012 foi sentida com menor intensidade no setor. Em fevereiro, o número de postos criados na construção civil, no País, foi 9,4% inferior ao do mesmo mês de 2011, enquanto, no Estado, foi 28,2%. Já no total do emprego celetista e na indústria de transformação, essa redução foi muito mais acentuada — -56,6% no Brasil e -52,3% no RS, no primeiro caso; e -67,4% no Brasil e -41,6% no RS, no segundo. Soa compreensível que o empresariado da construção civil, destoando dos demais setores da indústria, se declare otimista com os rumos da economia (51ª Sondagem Nacional da Indústria da Construção).

O emprego na construção civil sustentando o crescimento

Compartilhe

Euforia na construção civil

Por:

Edição: Ano 20 nº 06 - 2011

Área temática:

Assunto(s):

A expansão da indústria da construção civil no RS vem mantendo-se de forma bastante nítida. A abundância de financiamentos com prazos e juros atrativos e a ampliação das classes médias integradas ao mercado habitacional são os pilares desse novo cenário. O Programa Minha Casa Minha Vida, implementado a partir de 2009, tem sido decisivo nesse sentido. Seus recursos destinam-se a famílias com renda de até 10 salários mínimos, o que se reflete na predominância da comercialização de apartamentos de dois dormitórios.

Cabe salientar, ainda, como fator de expansão do setor, os investimentos do PAC, que dizem respeito a adequações e melhoramentos na infraestrutura do País. É sabido que as áreas de logística, transportes, energia e comunicações carecem de grandes investimentos, tanto no RS como em outros estados, se mais não fosse, pelo menos por conta da Copa do Mundo de Futebol em 2014. No RS em particular, há que se salientar a importância das obras relacionadas ao polo naval de Rio Grande.

Assim, são muito alvissareiras as perspectivas da construção civil. Esse clima positivo, entretanto, poderá esbarrar no problema da carência de mão de obra qualificada, já identificada como uma das maiores preocupações dos empresários do setor.

Por outro lado, dado o ritmo intenso de crescimento das edificações nas médias e grandes cidades, é compreensível que a disponibilidade de terrenos diminua. Em consequência, é de se esperar uma elevação de preços dos imóveis de maior qualidade.

Euforia na construção civil

Compartilhe

O boom na construção depende do crédito

Por:

Edição: Ano 17 nº 10 - 2008

Área temática:

Assunto(s): ,

A indústria da construção civil vive uma situação de grande dinamismo, sobretudo a partir do segundo semestre de 2007. No corrente ano, esse comportamento se mantém, com tendência crescente.

A expansão do crédito habitacional tem sido apontada como o fator decisivo desse dinamismo. Com a flexibilização das condições de garantia, com a extensão dos prazos e a redução do valor da prestação, a aquisição da casa própria tornou-se viável para grande parcela da população que estava fora do mercado desde a desativação do BNH (famílias com renda na faixa de cinco a 10 salários mínimos).

O dinamismo dessa atividade beneficia não somente as empresas de construção, mas toda a cadeia construtiva, incluindo setores produtores de insumos e equipamentos, e o mercado de trabalho, pois se ampliam as contratações. A demanda por mão-de-obra qualificada vem crescendo consideravelmente, o que provoca necessidade de treinamento. O aquecimento do mercado de trabalho vem ensejando a incorporação de mulheres, o que constitui uma inovação.

Resta saber se, numa perspectiva de elevação dos juros (conseqüência da recente crise financeira internacional), as condições que propiciaram o boom acima referido poderão ser mantidas.

O boom na construção depende do crédito

Compartilhe