Textos com assunto: concorrência internacional

O crescimento das exportações para a África

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Edição: Ano 22 nº 11 - 2013

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A África tem 54 países e cerca de 1,1 bilhão de habitantes. É a região com a maior concentração de pobreza do mundo, com 47,5% da população vivendo com menos de US$ 1,25 por dia. No entanto, entre 2000 e 2012, a economia africana cresceu anualmente a uma taxa superior à média mundial — 5,04% contra 3,64% — e, atualmente, é considerada a nova fronteira de expansão do capitalismo. Conforme o FMI, na próxima década, dos 10 países com maior crescimento econômico, sete serão africanos. Outro exemplo do potencial dessa economia foi ressaltado recentemente em um estudo do Banco Mundial: existem, na África Subsaariana, cerca de 202 milhões de hectares de terras aráveis, mas incultas, o que representa cerca de 50% do total de terras nessas condições existentes no mundo.

Desde o final do século passado, mas de forma mais incisiva a partir de meados da década atual — com o aprofundamento de sua estratégia geopolítica de privilegiar o alinhamento Sul-Sul —, o Brasil buscou incrementar o relacionamento com a África. Essa tarefa foi facilitada pelas afinidades históricas, culturais e mesmo geográficas — de clima e solo — que ligam o País a diversas nações africanas. Entre 2002 e 2012, o número de embaixadas brasileiras localizadas naquela região subiu de 17 para 37, e o de embaixadas africanas no País, de 16 para 33.

O desenvolvimento comercial entre o Brasil e a África caminhou pari passu ao seu relacionamento diplomático. As compras africanas, que representavam 2,44% do total das exportações brasileiras em 2000, passaram a representar 5,03% em 2012. Já sobre o total das exportações gaúchas, a participação africana elevou-se de 2,54% para 7,62% entre os dois anos considerados. Ademais, as exportações oriundas do Brasil e do RS evoluíram num ritmo superior ao das compras africanas no resto do mundo, de modo que o País e o Estado ganharam fatias daquele mercado.

A carência alimentar e a falta de infraestrutura do continente africano estimularam as exportações brasileiras tanto dos produtos agropecuários e minerais — açúcar, carnes bovina e de aves, milho e minério de ferro — como daqueles de maior valor agregado — tratores, veículos para transporte de mercadorias, óleo de soja, aviões e partes e acessórios de veículos. Já o RS concentrou suas vendas externas nos produtos agropecuários — carne de aves, tabaco, arroz, trigo e derivados de carne — e nos da indústria metal-mecânica — tratores, partes e acessórios de veículos, outras máquinas agrícolas e reboques e semirreboques.

Para o RS, foi muito significativa a expansão das vendas de arroz, tratores e demais máquinas agrícolas para o mercado africano. No caso do cereal, porque, no Brasil, o arroz gaúcho vem sofrendo forte concorrência da produção dos outros países do Mercosul. E, no caso das máquinas agrícolas, porque, ultimamente, a instalação de novas plantas desses bens na Argentina vem não só encurtando o tamanho daquele mercado para os produtos gaúchos, como também capacitando empresas do país vizinho a competirem em terceiros mercados.

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RS: o declínio na “vocação exportadora”

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Edição: Ano 21 nº 08 - 2012

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A “vocação exportadora” do RS vem sendo gradativamente abalada. Tomem-se os últimos 20 anos: dividindo esse período em quatro subperíodos, observa-se que, entre 1992 e 1996, o Estado participou com 12,0% das exportações brasileiras; entre 1997 e 2001, com 10,9%; entre 2002 e 2006, com 9,6%; e, por último, entre 2007 e 2011, com 8,6%. Entre os anos extremos, a diferença é maior: enquanto, em 1992, as vendas externas do RS eram 12,1% das nacionais, em 2011, representaram apenas 7,6%. Dessa forma, embora ainda seja superior a 1 o quociente da relação exportações gaúchas/exportações brasileiras sobre PIB gaúcho/PIB brasileiro, o Estado vem-se tornando “menos exportador” em relação ao Brasil. Por que isso?

Porque, embora haja problemas de competitividade externa comuns ao RS e às demais unidades da Federação — como carência de infraestrutura adequada, juros altos, impostos comparativamente mais elevados frente aos de outros países emergentes, custo da energia também relativamente alto e, mais recentemente, câmbio valorizado —, a maior parte da produção gaúcha voltada ao exterior apresenta algumas peculiaridades que, por um lado, explicam o que vem acontecendo e, por outro, não dão esperança quanto à reversão desse quadro. Abaixo estão descritas três dessas diferenças. As duas primeiras referem-se a situações já consolidadas, e a terceira está em processo de definição.

Uma primeira diferença refere-se ao fato de que, devido ao esgotamento de sua fronteira agrícola, o Estado ficou em desvantagem frente a outras regiões do País onde ainda existem terras inexploradas comercialmente. Por exemplo, na região dos Cerrados conhecida como Matopiba — que engloba áreas dos Estados do Maranhão, de Tocantins, do Piauí e da Bahia —, a produção de soja vem crescendo de forma acelerada. Já no RS, o crescimento da produção está restrito ao aumento de produtividade e/ou à substituição de culturas. No caso da substituição, isso pode causar problemas. A elevação do preço da soja no mercado internacional costuma ocasionar um aumento da área cultivada dessa oleaginosa, em parte sobre terras antes plantadas com o milho. Em consequência, a escassez relativa de milho, do qual o Estado é um importador líquido, reduz a rentabilidade da produção das carnes de frango e suína, produtos estes relevantes na pauta exportadora gaúcha, principalmente o primeiro. De uma maneira geral, no caso dos produtos de origem agropecuária, o recomendado é agregar valor, mas, como isso pode significar redução ou não criação de empregos nos países importadores, essa alternativa normalmente se mostra, na prática, inviável.

Outra diferença refere-se aos produtos intensivos em trabalho, onde, proporcionalmente, o RS sofreu mais que o Brasil com a concorrência internacional de países que possuem mão de obra mais barata. Isso aconteceu devido à (antiga) elevada participação das exportações de calçados no total das vendas externas do Estado. Considerando-se apenas os valores nominais (em US$), o total das exportações gaúchas de “calçados e suas partes” caiu 26,9% entre 1992-96 e 2007-11. Como proporção do total exportado pelo Estado, a queda foi de 26,4% para 5,9% entre os dois subperíodos considerados. A tentativa de agregar valor ao calçado gaúcho, ainda que seja a melhor forma de reaver a competitividade, agora em outro nicho de mercado, dificilmente compensará, nas exportações estaduais, o peso outrora representado pelos calçados de baixo preço.

Uma terceira diferença diz respeito ao advento do Mercosul e à proximidade geográfica do Estado com a República Argentina, de longe o mais importante parceiro comercial desse bloco. Num primeiro momento, esse acordo comercial foi favorável ao RS. Nos anos 90, cresceu bastante a participação argentina nas exportações gaúchas, houve uma queda na virada para o século XXI — em função da crise econômica no país vizinho —, mas, após 2003, essa participação voltou a aumentar. Na maioria desses 20 anos, a representatividade do mercado argentino nas exportações foi maior para o RS do que para o Brasil. E essa dependência relativamente maior trouxe mais prejuízos ao Estado, quando, nos últimos anos, o país vizinho passou a desenvolver, e manter, uma política de defesa comercial, visando à internalização de parte da produção antes importada. Dentre outros, um setor afetado por essa política no RS foi o de máquinas agrícolas, segmento que tenta compensar as perdas redirecionando parte de sua produção para outros mercados, na América Latina e na África por exemplo. Mas esse é um processo ainda incipiente, aberto em relação ao seu resultado líquido.

Pelas razões expostas acima, a “vocação” do Estado, nos últimos anos, parece voltar-se ao mercado doméstico. Este, apesar do recuo momentâneo, ainda está em crescimento, é razoavelmente grande e, quando necessário, bem protegido.

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A demanda e a oferta de petróleo perante uma economia global aquecida

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Edição: Ano 16 nº 12 - 2007

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A partir de 2004, quando a economia mundial começou a crescer em torno de 5,0% ao ano, a demanda mundial de petróleo passou a manter-se em um patamar acima de 80 milhões de barris/dia.

Em 2007, a economia mundial permanece extremamente aquecida. O Panorama Econômico Mundial, publicado, em outubro, pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), estima que o produto mundial crescerá 5,2% neste exercício. Mantido o patamar de desempenho da economia global, o Relatório Mensal do Mercado do Petróleo, publicado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) no corrente mês de novembro, prevê uma demanda mundial do produto de 85,7 milhões de barris/dia. Dada a oferta mundial de petróleo dos países que não pertencem à OPEP estar estimada em 54,6 milhões de barris/dia (tabela), há uma diferença de 31,1 milhões de barris/dia a ser suprida pelos países-membros da Organização.

A oferta extremamente ajustada à demanda tem resultado em incrementos dos preços do barril de petróleo. Eles se mantêm em patamares muito elevados, atingindo valores próximos à barreira psicológica dos US$ 100,00, e têm gerado pressão sobre a taxa de inflação em âmbito global.

No dia 18 de novembro, os países pertencentes à OPEP reuniram-se em Riad, na Arábia Saudita. Na agenda, havia uma solicitação dos Estados Unidos para que houvesse aumento de produção e a constatação da Agência Internacional de Energia (AIE) de que os níveis de preços praticados pelo mercado estão fragilizando a demanda mundial. Concluída a reunião, Ali al-Naimi, o todo-poderoso ministro saudita, afirmou que esses níveis praticados pelo mercado independem de decisões da instituição. No dia 21 de novembro, a cotação do barril de petróleo fechou o pregão em valor muito próximo a US$ 100,00, em Nova Iorque.

As descobertas de jazidas de petróleo em 2007, da Petrochina, em Nanpu, na Baía de Bohai (7,3 bilhões de barris equivalentes de petróleo), e da Petrobras, no campo de Tupi (5 bilhões a 8 bilhões de barris), geraram algum otimismo no mercado, mas a repercussão dessas reservas sobre a cotação do barril de petróleo implica ações a longo prazo para a obtenção de resultados. No curto prazo, o preço do barril do petróleo pode avançar, dentre outras razões, se o conflito entre a Turquia e os curdos do norte do Iraque assumir uma dimensão maior do que o embate vigente, ou se as relações entre Estados Unidos e Irã criarem um impasse explosivo na região, ou, ainda, se houver redução abrupta dos estoques, no Hemisfério Norte, ao longo do inverno que inicia. De outro lado, o preço do barril pode recuar, à medida que houver uma desaceleração mais forte do que a prevista na economia dos Estados Unidos, fruto da crise das hipotecas, que já atingiu os bancos norte- -americanos e que contagiou os intermediários financeiros do Japão e da Europa, e cujo efeito sobre a atividade econômica deve concretizar-se no primeiro semestre do próximo ano.

Para 2008, frente a uma demanda estimada de 87,0 milhões de barris/dia, há uma previsão de que a oferta mundial de petróleo dos países não pertencentes à OPEP atinja 56,2 milhões de barris/dia. Admitindo-se que a economia mundial mantenha o ritmo de crescimento econômico e que o produto cresça 4,8% em 2008, conforme previsão do FMI, a OPEP estima que haja uma diferença de 30,8 milhões de barris/dia a ser atendida pelos países produtores de petróleo.

A demanda e a oferta de petróleo perante

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