Textos com assunto: comércio exterior

A China no comércio externo brasileiro

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Edição: Ano 21 nº 01 - 2012

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No período recente, a China tem-se destacado internacionalmente pela pujança de sua economia e pela invasão de seus produtos no mundo inteiro. Enquanto a Europa, o Japão e os Estados Unidos enfrentam inúmeros percalços, a China mantém-se puxando o crescimento mundial. Na esteira do dinamismo asiático, vem o Brasil, sendo influenciado pela dinâmica chinesa.

Setores como o coureiro-calçadista, o têxtil e mesmo a indústria automobilística precisam enfrentar a dura batalha de ter de competir com o custo da mão de obra chinesa e com sua taxa de câmbio competitiva. No Rio Grande do Sul, o Vale do Rio dos Sinos sofre há anos com a concorrência externa, de modo que algumas empresas, no limite, renderam-se e migraram para o gigante asiático.

Os agentes industriais apontam as suas dificuldades competitivas. Os custos trabalhistas efetivos nas indústrias manufatureiras chinesas correspondem a, aproximadamente, 16% dos vigentes na indústria brasileira. Especificamente nas indústrias têxteis e calçadistas, a proporção fica em 13,8% e 35,4% respectivamente (OIT). No que toca à taxa de câmbio, o real é uma das moedas mais sobrevalorizadas do mundo, e o yuan renmimbi é umas das mais subvalorizadas.

Os agentes industriais apontam as suas dificuldades competitivas. Os custos trabalhistas efetivos nas indústrias manufatureiras chinesas correspondem a, aproximadamente, 16% dos vigentes na indústria brasileira. Especificamente nas indústrias têxteis e calçadistas, a proporção fica em 13,8% e 35,4% respectivamente (OIT). No que toca à taxa de câmbio, o real é uma das moedas mais sobrevalorizadas do mundo, e o yuan renmimbi é umas das mais subvalorizadas.

Os agentes industriais apontam as suas dificuldades competitivas. Os custos trabalhistas efetivos nas indústrias manufatureiras chinesas correspondem a, aproximadamente, 16% dos vigentes na indústria brasileira. Especificamente nas indústrias têxteis e calçadistas, a proporção fica em 13,8% e 35,4% respectivamente (OIT). No que toca à taxa de câmbio, o real é uma das moedas mais sobrevalorizadas do mundo, e o yuan renmimbi é umas das mais subvalorizadas.

Em decorrência dessa configuração, o Brasil vem exercendo seu peso político institucional para contestar a inserção chinesa no mundo, impondo tarifas aos calçados, aos automóveis, aos brinquedos e mesmo aos produtos de menor valor, como escovas de cabelo e óculos. Para 2012, estão previstas também políticas de proteção ao setor têxtil. Há que destacar, entretanto, que, face à competitividade chinesa, tais medidas são paliativas. Salutar é a pressão política brasileira, que se juntou ao coro de países desenvolvidos, ao pressionar a China para valorizar sua taxa de câmbio. Essa articulação política deve ser intensificada. A relevante variação na taxa de câmbio chinesa desde 2005, entretanto, não foi suficiente para que a indústria brasileira conseguisse se proteger.

A despeito das sabidas dificuldades competitivas que os produtos chineses têm gerado sobre a indústria mundo afora, os ganhos para o Brasil não podem ser negligenciados, ainda que as exportações para aquele país sejam compostas majoritariamente por commodities. Destacam-se minério de ferro, soja, óleo de soja e petróleo, que, em 2011, responderam por mais de 80% das exportações (acumulado até novembro). Há que salientar, ainda, a oportunidade de comércio para os suinocultores, que comemoram a recente abertura chinesa ao produto, após cinco anos de negociações, fator que promete impulsionar esse segmento.

Sob esse desempenho, a China tornou-se o principal comprador do Brasil no ano de 2009. Em 2011, a China respondeu por 17,3% das exportações brasileiras, enquanto os Estados Unidos representaram 10,0%, e a Argentina, 8,9% (MDIC). As exportações para a China superaram não apenas os embarques aos Estados Unidos, mas também ao Mercosul como um todo. As compras chinesas quase se equivalem às dos Estados Unidos e da Argentina juntos. Tal desempenho faz a China representar 38,7% do saldo comercial brasileiro no período.

Sabidamente, esses produtos possuem encadeamentos menores do que os produtos acabados, tendo, assim, seus impactos mais restritos à geração de emprego e à multiplicação da renda para outros setores. De toda a sorte, as exportações de manufaturados e semimanufaturados para a China cresceram em termos nominais nos últimos anos. Contudo, o crescimento dos produtos básicos efetivou-se em termos nominais e relativos, aumentando sua participação na pauta de exportação para esse país.

Face aos conflitos concernentes à relação com a China, a política industrial brasileira deverá persistir na proteção dos setores mais prejudicados, assim como continuar utilizando a pressão política nas reuniões internacionais. De todo modo, há a necessidade de adaptação à nova realidade. Longe de se saudar, aqui, a chamada especialização exportadora em torno das commodities, trata-se de ampliar a consciência de que as cartas estão dadas, o jogo está em marcha e as regras são em mandarim. E àquele país importam, por hora, sobretudo produtos primários.

Todavia, há sinais de mudança. Vislumbra-se no horizonte uma maior apreciação do yuan, fato que, de um lado, encarece os produtos chineses no Brasil e, de outro, torna os produtos brasileiros mais baratos na China. Esse movimento traria ganhos à China, ao permitir maior consumo à população local, através do aumento real dos salários. Naturalmente, os rebatimentos desse eventual movimento poderão ampliar a gama de produtos exportados para a China. Nesse interregno, cabe ao Brasil observar o lado positivo da inserção chinesa nas exportações de produtos primários e manter a pressão para que a valorização cambial se acelere. Mesmo em um cenário de inércia, há ganhos ao Brasil.

A China no comércio externo brasileiro

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Comércio bilateral Brasil-China

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Edição: Ano 19 nº 11 - 2010

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Assim como ocorreu em relação a outros países e regiões, a participação da China no comércio exterior brasileiro adquiriu, nos anos recentes, uma importância cada vez maior. A corrente de comércio bilateral (exportações mais importações) multiplicou-se por 16 entre 2000 e 2009, refletindo o dinamismo das trocas, enquanto o total do comércio do Brasil com o mundo cresceu apenas duas vezes e meia no mesmo período. De janeiro a setembro de 2010, enquanto as exportações e as importações totais brasileiras registraram crescimento de 29,6% e 45,8%, respectivamente, em relação ao mesmo período do ano anterior, as exportações brasileiras para a China aumentaram 34,3%, e as importações, 65,2%.

A intensificação do comércio bilateral Brasil-China elevou a participação deste país como fornecedor e como comprador, tornando-a comparável à de outros parceiros comerciais tradicionais do Brasil. Em decorrência desse elevado dinamismo, de janeiro a setembro de 2010, a China foi não só o principal destino das exportações brasileiras — participando com 16,0% do total exportado —, mas também a principal origem das importações, respondendo por 13,8% do total importado.

A natureza do fluxo comercial Brasil-China é quase exclusivamente interindustrial, isto é, consiste na troca de matérias-primas brasileiras por bens manufaturados chineses. Nos nove primeiros meses de 2010, 83,7% das exportações do País para a China foram de produtos básicos, 12,1% de semimanufaturados e apenas 4,2% de manufaturados. Além disso, a pauta continuou excessivamente concentrada em poucos produtos, sendo que soja em grão, minério de ferro e óleos brutos de petróleo responderam por mais de 78% das exportações. Em igual período, as importações dessa origem mostraram-se muito diversificadas e constituídas, essencialmente, por bens manufaturados, tais como máquinas, equipamentos e produtos eletroeletrônicos, bem como peças e componentes para a área de telecomunicações.

No que diz respeito ao comércio exterior do Rio Grande do Sul com a China, esse país também constitui o principal mercado de destino das exportações do Estado, participando com 16,8% do total das exportações gaúchas entre janeiro e setembro de 2010. Do total exportado pelo RS para esse país, a soja em grão responde por 73,0%, o óleo de soja, por 9,7%, e o fumo em folha, por 5,1%, ou seja, assim como ocorre com as exportações brasileiras para a China, o RS também caracteriza-se pela venda de produtos intensivos em recursos naturais e de baixo valor agregado.

O Brasil está aproveitando a elevada demanda chinesa por alimentos, energia, metais e minerais e os bons preços internacionais dessas commodities, o que tem favorecido a melhora dos termos de troca do País. Entretanto o comércio interindustrial não permite explorar integralmente o potencial do relacionamento comercial e de investimentos recíprocos. A característica interindustrial do intercâmbio dificulta uma maior densidade do comércio, restringe as oportunidades para investimentos conjuntos e limita uma inserção mais eficaz do Brasil nas cadeias produtivas da Ásia-Pacífico intensivas no comércio intraindustrial. Além disso, as diferenças na especialização produtiva e comercial restringem o aumento dos investimentos diretos bilaterais e o estabelecimento de alianças produtivas, tecnológicas e comerciais. Mas, apesar de todas essas diferenças, convém ao Brasil esforçar-se para estabelecer uma parceria estratégica com a China, visando integrar as cadeias produtivas e de comercialização da região Ásia-Pacífico, onde há uma integração produtiva em gestação, tendo a China como centro dinâmico.

Comércio bilateral Brasil-China

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Redução de exportações para a Argentina

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Edição: Ano 18 nº 11 - 2009

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A crise financeira e econômica global motivou o aprofundamento das medidas de defesa comercial adotadas pela Argentina contra o Brasil. Dentre elas, podem ser citadas: licenças não automáticas de importação; estabelecimento de preços mínimos para alguns produtos importados; investigações “antidumping”; e introdução de restrições voluntárias às exportações negociadas com os parceiros comerciais. As medidas refletem o avanço do regionalismo pós-liberal na Argentina, onde crescem as resistências em relação à abertura econômica e ao aprofundamento da liberalização comercial intra-Mercosul. Com isso, em 2009, as barreiras comerciais impostas pela Argentina já atingem 14,0% das exportações brasileiras para aquele país, percentual que, em 2008, tinha sido de 4,3%.

Diante das reclamações do Governo brasileiro e dos setores mais prejudicados, o Governo argentino propôs a realização de negociações setoriais entre os empresários de ambos os países, com o intuito de estabelecer reduções voluntárias de exportações brasileiras daqueles setores mais conflitantes com a produção argentina.

Entre os setores mais prejudicados pelo protecionismo argentino, estão: calçados; têxteis e vestuário; autopeças; tornos; móveis de madeira; eletrodomésticos da linha branca; e celulose e papel. Móveis e calçados, dois importantes itens da pauta de exportações do Rio Grande do Sul, tiveram seus acordos assinados no primeiro semestre de 2009. No caso dos móveis de madeira, os produtores brasileiros aceitaram reduzir em 35% as exportações em relação aos US$ 155 milhões de 2008. Pelo acordo de calçados, foi fixada, para os fabricantes brasileiros, uma cota de 15 milhões de pares por ano até 2011, o que representa uma redução de 19% em relação aos 18,5 milhões de pares embarcados para o país vizinho em 2008. Como, há vários anos, a Argentina já vem protegendo sua indústria nacional de calçados, algumas empresas calçadistas do Rio Grande do Sul, tais como a Paquetá, a Vulcabrás/Azaléia e a Dilly, optaram por contornar as barreiras comerciais através de instalação, duplicação e/ou aquisição de plantas industriais naquele país.

Analisando as exportações de calçados e de móveis do RS para a Argentina na presente década, observa-se que os valores exportados sofreram oscilações acentuadas no período, principalmente no ano de 2002, quando a Argentina saiu da convertibilidade, onde um peso equivalia a um dólar. Nem os calçados nem os móveis conseguiram recuperar os valores de 2000, enquanto os chineses continuaram ganhando market-share naquele país, nesses setores. De janeiro a setembro de 2009, as exportações de calçados e de móveis do RS para a Argentina recuaram 14,5% e 53,0%, respectivamente, tendo os primeiros uma redução menor do que as exportações totais do Estado para aquele país (-27,6%), enquanto a dos móveis foi maior. Mesmo assim, as exportações totais do RS para a Argentina caíram menos do que as brasileiras (-39,9%) em igual período.

Redução de exportações para a Argentina

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Um quarto da produção industrial gaúcha é exportada

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Edição: Ano 17 nº 08 - 2008

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Utilizando dados do MDIC e da Pesquisa Industrial Anual (PIA), do IBGE, é possível obter-se o coeficiente de exportação, medida que indica o percentual da produção destinada ao mercado externo das indústrias brasileira e gaúcha. Foram calculados os coeficientes médios para a indústria de transformação e para os 10 principais setores industriais do Rio Grande do Sul no período 2003-06, sendo 2006 o último ano com dados disponíveis da PIA.

A primeira linha da tabela mostra que a indústria de transformação gaúcha destina ao exterior, em média, um quarto de sua produção, proporção maior que a da indústria nacional, que apresenta um coeficiente médio menor, de 20,3%.

Dentre os setores gaúchos selecionados, quatro deles merecem destaque, por apresentarem coeficientes acima da média da indústria estadual e também acima do respectivo coeficiente nacional. O primeiro colocado é o setor do fumo, que exporta 63,1% de sua produção, seguido pelo de calçados e couros, com coeficiente de 49,6%, e pelos de máquinas e equipamentos e alimentos e bebidas, que destinam ao exterior 28,7% e 27,5% de suas vendas respectivamente. Esses quatro setores concentraram, em 2006, 61,9% das exportações industriais do RS.

O coeficiente de exportação da indústria de transformação do RS apresentou certa estabilidade ao longo do período, o mesmo não valendo para todos os seus setores. Dois deles sofreram redução de seus coeficientes. O de fumo diminuiu de 71,2% em 2003 para 55,5% em 2006, e o de móveis caiu de 25,5% para 16,2% no mesmo período. Por outro lado, o setor de derivados de petróleo apresentou forte crescimento de seu percentual exportado, passando de 0,6% em 2003 para 7,4% em 2006.

Um quarto da produção industrial gaúcha é exportada

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Saldo em transações correntes cresce menos em 2007

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Edição: Ano 17 nº 01 - 2008

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Uma das características do ajuste externo brasileiro promovido após 2002 é o progressivo aumento no saldo em transações correntes. Este decorreu, basicamente, do avanço do saldo comercial brasileiro, devido ao incremento nos preços das commodities (88% de crescimento médio entre 2002 e 2006), tributário do maior dinamismo da economia mundial, alavancado pelas excepcionais taxas de crescimento da economia chinesa.

Embora ainda se projete, para 2007, um avanço expressivo da economia mundial, a despeito da crise de crédito originada nos EUA, nota-se uma crescente redução do saldo corrente brasileiro, quando comparado com o de 2006. Entre janeiro e outubro de 2007 frente aos mesmos meses de 2006, essa conta teve redução de mais de 50% em seu resultado, tendência que vem se acelerando principalmente a partir de julho, com a piora no superávit comercial e com o avanço do déficit nas contas de serviços e rendas.

A continuada valorização cambial, somada à aceleração no ritmo de crescimento da economia nacional, pode ser apontada como a principal responsável por essa deterioração, que tem sido plenamente compensada pelo avanço no saldo financeiro, permitindo a continuidade da ampliação das reservas pelo Governo brasileiro. Fica, entretanto, um sinal de alerta para a mudança para um padrão menos saudável de financiamento do setor externo da economia brasileira.

Saldo em transações correntes cresce menos em 2007

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Adesão da Venezuela ao Mercosul

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Edição: Ano 15 nº 11 - 2006

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Com a entrada da Venezuela no Mercosul, em julho de 2006, ficou estabelecido que a liberalização comercial intrabloco ocorrerá de forma gradual, embora, nas negociações com terceiros países, deva ocorrer incorporação imediata da Venezuela ao bloco, com direito a voto.

A adesão da Venezuela ao Mercosul pode apresentar vantagens aos demais membros pela ampliação do mercado, por ser importante fonte energética, por dispor de recursos financeiros para serem aplicados na região e pelo aumento do poder de barganha do bloco nas negociações com países extrazona, dentre outros.

No período de jan.-set./06, em relação aos nove meses do ano anterior, verifica-se que as importações provenientes da Venezuela cresceram mais do que as exportações, tanto em nível nacional como estadual. Enquanto a Venezuela vende ao Brasil e ao Estado principalmente matérias-primas, como combustíveis, uréia e enxofre, nas exportações brasileiras para a Venezuela prevalecem os produtos manufaturados, como terminais portáteis de telefonia celular, automóveis, tratores e suas partes, além de carnes de aves e de carnes preparadas. Já do RS, são vendidos, particularmente, tratores, ônibus e suas partes, máquinas agrícolas e carnes de aves.

O elevado incremento do intercâmbio comercial Brasil-Venezuela, em especial nos dois últimos anos, animou alguns empresários de ambos os países. Contudo existe um certo receio pelo acréscimo da concorrência nos países menores do bloco e, especialmente, no andamento das negociações externas do Mercosul.

Adesão da Venezuela ao Mercosul

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