Textos com assunto: comércio atacadista

A expansão do comércio é para valer

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Edição: Ano 17 nº 01 - 2008

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O ano de 2007 foi generoso com o comércio gaúcho. A consistência do crescimento tem-se evidenciado pelo fato de que quase todos os setores têm apresentado taxas de crescimento positivas e em elevação como há muito não se observava. Mesmo a menor variabilidade das taxas entre os setores e entre as regiões reforça isso.

Tanto o comércio varejista como o comércio atacadista apresentaram taxas significativas de crescimento no acumulado do ano até outubro, em relação ao mesmo período de 2006. Os dados do Índice de Vendas do Comércio (IVC), calculado pela FEE, mostram um crescimento de 8,4% para o comércio em geral, 11,5% para o atacadista e 5,8% para o varejista.

Contribuiu para isso a queda da taxa de juros desde 2005, cujo impacto se fez sentir com maior intensidade no setor de bens duráveis, embora o comércio como um todo tenha se beneficiado disso. Os efeitos do alívio da política monetária aparecem com certa defasagem no tempo, de modo que, mesmo com a interrupção, pelo Banco Central, da trajetória de queda da taxa Selic, o comércio deve continuar a colher os frutos do aumento de demanda ainda por certo tempo. As taxas ao consumidor também respondem com certa defasagem em relação a essa taxa e, ainda que lentamente, seguem caindo. Além disso, há um aumento na oferta de crédito, acompanhado por um alongamento nos prazos de pagamentos, que tende a ampliar a base de consumidores.

Outra explicação para o bom desempenho do comércio foi a recuperação do setor agrícola no Estado, o que se reflete no desempenho excepcional do comércio atacadista de matérias- primas agropecuárias, cujo crescimento foi de 21,4%. Ressalte- se, porém, que a base de comparação ficou prejudicada pelo desempenho bastante fraco do setor no período 2004-06.

O comércio varejista de veículos, motocicletas, partes, peças e acessórios cresceu 18,1% em 2007, em relação ao mesmo período de 2006, quando já apresentava crescimento significativo. Esse é justamente o setor em que o crédito mais tem crescido.

Já o crescimento do setor atacadista de máquinas, aparelhos e equipamentos (21,3%) sinaliza uma retomada do investimento e oferece uma perspectiva de maior sustentabilidade ao crescimento. O seu desempenho reflete um otimismo em relação a vendas futuras.

Em termos regionais, vale destacar as duas maiores cidades do Estado, Porto Alegre e Caxias do Sul, que apresentaram um crescimento do comércio em geral de 12,7% e 10,6% respectivamente. Esses desempenhos acima da média estão associados aos bons resultados do produto industrial das regiões, que contribuem para a alta da massa salarial e do consumo, mais do que nos municípios menores.

O bom desempenho do comércio, se não ocorrerem choques, deve-se manter ao longo de 2008. Mesmo que a indústria esteja próxima do limite da capacidade instalada, o comércio tem a alternativa de incrementar seu mix de produtos ofertados com importações, dada a perspectiva de uma taxa de câmbio favorável a essa estratégia.

A expansão do comércio é para valer

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Comércio retoma o crescimento

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Edição: Ano 16 nº 09 - 2007

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Depois de um período de crise, o comércio gaúcho começa a apresentar um crescimento significativo no primeiro semestre de 2007, acompanhando o bom desempenho dos outros setores da economia.

Desde junho de 2007, a FEE, no âmbito da parceria com a Fecomércio-RS e com a Secretaria da Fazenda, expandiu a cálculo do Índice de Vendas no Varejo (IVV), calculando um indicador adicional para o atacado e compondo os dois indicadores num indicador geral para o comércio: o Índice de Vendas do Comércio (IVC). Com esse indicador, tem-se uma medida do desempenho do comércio a partir da movimentação do ICMS. Há uma desagregação para 20 setores e, geograficamente, para macro e microrregiões e para os principais municípios do Estado.

Quanto ao desempenho dos municípios, observa-se que Porto Alegre apresentou um crescimento de 7,9% no primeiro semestre de 2007, seguido por Passo Fundo (7,7%) e Canoas (7,2%). Pelotas cresceu apenas 0,4%. Na medida em que o setor industrial tende a responder mais rápido aos impulsos do crescimento, observa-se que municípios mais industrializados iniciam o processo de crescimento com primazia, e o comércio, conseqüentemente, aponta a mesma dinâmica. Pelotas e os demais municípios da região sul ressentem-se de uma estagnação estrutural e, por serem pouco industrializados, à exceção de Rio Grande, tem o desempenho do comércio associado ao da agropecuária, que não vem crescendo significativamente nessa região. Ou seja, não há garantia, para esses municípios, de que o crescimento chegue ao natural após algum tempo. O desempenho desigual do comércio entre os municípios, de alguma forma, reflete os desequilíbrios regionais do Estado.

Setorialmente, o crescimento das vendas do comércio foi mais expressivo no atacado (10,8%) do que no varejo (4,3%). Os setores podem ter dinâmicas diferentes, em razão da determinação geográfica dos mercados. No varejo, os mercados tendem a ser locais, enquanto, no atacado, tendem a ser mais amplos. Por exemplo, as vendas de uma empresa atacadista localizada numa região economicamente deprimida podem estar crescendo simplesmente porque se destinam a mercados em crescimento não locais, enquanto, no varejo, há menor possibilidade de haver uma dissociação regional entre comprador e vendedor.

O forte desempenho do atacado reforça os indícios de crescimento da economia gaúcha, sobretudo porque os setores mais destacados foram os de máquinas e equipamentos e matérias-primas agropecuárias, que cresceram 17,9% no primeiro semestre de 2007. Mesmo que as vendas desses setores não sejam destinadas somente ao Estado, é possível observar um aumento no investimento, que passa geralmente pelo atacado, dando mais consistência ao crescimento da economia.

O cenário de aumento na oferta de crédito ao consumidor também tem contribuído de maneira destacada para o crescimento do comércio. Se a turbulência nos mercados financeiros internacionais não deixar seqüelas na perspectiva de queda gradual e contínua das taxas de juros, pode-se esperar um bom desempenho nas vendas de bens duráveis, como o que já se manifesta no setor de veículos.

Comércio retoma o crescimento

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