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Investimentos chineses em expansão no Brasil e no RS

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Edição: Ano 27 nº 01 – 2018

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Principal país importador de produtos brasileiros, a China tornou-se uma potência global com múltiplos interesses econômicos em todos os continentes. As relações bilaterais Brasil-China intensificaram-se ao longo da primeira década dos anos 2000, em parte como consequência do aumento do intercâmbio comercial, mas também pela aproximação decorrente da mútua participação em fóruns internacionais em defesa dos interesses dos países em desenvolvimento. Desde 2010, os investimentos chineses no Brasil, que, até então, eram pouco significativos, sofreram uma expansão que traduzia a necessidade chinesa de canalizar uma parte do elevado estoque de divisas acumuladas, aprovisionar-se de ativos estratégicos no exterior e contribuir para tornar o yuan uma moeda cada vez mais relevante no contexto internacional. Ou seja, a expansão dos investimentos chineses que vivenciamos no Brasil é o reflexo de uma estratégia global.

Os dados oficiais do Banco Central do Brasil sobre o investimento externo direto (IED) da China no Brasil não conseguem captar a totalidade desses investimentos, já que as empresas chinesas costumam realizar grande parte dos seus investimentos através de terceiros países. Exemplificando: a compra de 40% das operações da espanhola Repsol no Brasil por parte da estatal chinesa Sinopec, ao preço de US$ 7 bilhões, foi registrada como um investimento de Luxemburgo, pois a operação foi canalizada através da filial luxemburguesa da empresa chinesa. A prática de utilizar paraísos fiscais é frequente entre empresas de todo o mundo, mas as empresas chinesas a utilizam mais persistentemente. Por esse motivo, as estimativas nesse artigo são realizadas com base em fontes alternativas (Comissão Econômica para América Latina, Conselho Empresarial Brasil-China, notícias de jornais nacionais e do Governo do Estado do Rio Grande do Sul).

Inicialmente, os investimentos da China no Brasil tinham por objetivo assegurar o fornecimento de recursos naturais para atender à demanda provocada pelas altas taxas de crescimento da economia chinesa. Nessa primeira onda, destacam-se os projetos de mineração, petróleo e gás, e a comercialização de commodities agrícolas. A seguir vieram os investimentos em infraestrutura, produção e distribuição de energia. Em uma terceira onda, o interesse chinês pelo mercado interno brasileiro ampliou-se para veículos, bens de capital e eletroeletrônicos.  Mais recentemente, o interesse pelo setor financeiro manifestou-se pelo ingresso de investimentos de três entre os quatro principais bancos estatais da China. Por último, com o agravamento da crise brasileira, o foco voltou-se novamente para a infraestrutura, com destaque para a geração e a transmissão de energia elétrica.

Conforme os dados da American Enterprise Institute e da Heritage Foundation[1], dos US$ 52,1 bilhões de investimentos efetivados pela China no Brasil no período 2005-16, os mais vultosos foram no setor de energia (US$ 38,7 bilhões), representando 74% do total, seguido pelo setor de metais (US$ 4,6 bilhões), o financeiro (US$ 2,1 bilhões) e a agricultura (US$ 1,9 bilhão), dentre outros. No mesmo período, o Brasil ficou em quarto lugar entre os países receptores de investimentos chineses, atrás dos Estados Unidos, da Austrália e do Canadá, mas na frente do Reino Unido e da Rússia. No entanto, a participação do Brasil representou apenas 5,3% do total, dada a diversidade de países receptores.

Quanto ao modo de entrada das empresas chinesas no Brasil, observa-se uma tendência à redução de projetos greenfield, ou seja, investimentos nos quais novas operações são estabelecidas no país de destino, um aumento de fusões e aquisições (F&A) e, em menor escala, de joint-ventures. Uma explicação plausível está relacionada com o aproveitamento de empresas já instaladas no país, com conhecimento do mercado, leis e regulamentações, bem como possuidoras de uma cultura organizacional adaptada às condições locais. A partir de 2014, a China intensificou sua entrada no Brasil através de F&A de empresas estrangeiras ou nacionais já atuantes no País. Do ponto de vista do desenvolvimento brasileiro, o investimento greenfield é muito mais importante, porque aumenta o estoque de capital e garante a geração de empregos e renda. Nas F&A, o investimento já existente troca de mãos e muda o controle da empresa. O benefício para o País é menos previsível e decorre de eventuais investimentos posteriores à aquisição e da transferência de tecnologia. No caso da privatização de uma estatal ou de uma empresa de capital nacional, o controle passa para a estrangeira que a comprou, o que representa a desnacionalização do empreendimento. As empresas públicas foram capitalizadas pelo Estado com recursos públicos dos contribuintes e foram criadas como instrumento de desenvolvimento do País, no entanto, ao serem compradas por empresas entrangeiras, assiste-se à perda de controle de setores estratégicos da economia nacional e regional. Paradoxalmente, enquanto o rationale das concessões e privatizações do governo do Presidente Michel Temer é o de enxugar o Estado e arrecadar recursos para aliviar as contas públicas, a estratégia chinesa é de apoiar, principalmente, suas empresas públicas e as de economia mista, com o auxílio de bancos públicos e fundos públicos e/ou privados para a compra de ativos brasileiros a preços aviltados.

Tendo em vista a retração do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no financiamento de grandes projetos, os bancos e fundos chineses transformaram-se nos principais financiadores de projetos chineses no Brasil. Esse é o caso do novo fundo anunciado no mês de novembro de 2017, que disponibiliza US$ 3 bilhões, com a participação do governo chinês e do grupo Huayang, exclusivamente para financiar empreendimentos no Brasil ou de empresas brasileiras na China.

No Rio Grande do Sul, também se fez sentir o interesse dos investidores chineses na área de energia. A estatal chinesa State Grid, ao assumir em 2016 o controle do grupo CPFL — maior empresa privada do setor e proprietária da RGE e da AES Sul (RGE Sul) — passou a controlar 62% da distribuição de energia no Estado e o atendimento a 58% das unidades consumidoras. Através do controle da CPFL, a State Grid também passou a ser majoritária em quatro hidrelétricas no Estado, ficou com uma participação minoritária em uma quinta e uma participação no complexo eólico em Palmares do Sul. Adicionalmente, o acordo assinado no final de 2017 entre a Eletrobras, a Eletrosul, a empresa chinesa Shanghai Electric e o Clai Fund, o fundo chinês para investimentos na América Latina, prevê a construção, no RS, de 1,9 mil quilômetros de linhas de transmissão, oito novas subestações e a ampliação de 13 subestações, a um custo de, aproximadamente, R$ 3,9 bilhões, sob a liderança da Shanghai Electric. Além disso, a renomada China Three Gorges, proprietária da hidrelétrica Três Gargantas, na China, ao adquirir, no Brasil, 49% de 11 parques eólicos da portuguesa EDP Renováveis, ficou com uma participação no Parque Eólico Cidreira 1 de Tramandaí. Em decorrência dessa penetração na matriz energética do Estado, a transmissão e a geração de energia no RS fica cada vez mais dependente de decisões que emanam de interesses externos. Por outra parte, grandes grupos chineses fizeram uma série de aquisições de empresas globais com atuação no RS, de modo que passaram a controlar a fábrica de pneus Pirelli, instalada em Gravataí, e a fábrica de equipamentos de climatização Carrier, em Canoas. O apetite chinês por ativos no setor de energia leva a crer que são fortes candidatos para uma eventual venda da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), bem como potenciais investidores na implantação de um polo carboquímico. É lamentável que o patrimônio dos brasileiros e dos gaúchos em setores estratégicos como a energia seja repassado a investidores externos sem considerar como essa perda do controle afetará o desenvolvimento nacional e regional.

[1]   THE AMERICAN ENTERPRISE INSTITUTE AND THE HERITAGE FOUNDATION. China Global Investment Tracker. 2017. Disponível em: <http://www.aei.org/china-global-investment-tracker/>. Acesso em: 18 dez. 2017.

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A China no comércio externo brasileiro

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Edição: Ano 21 nº 01 - 2012

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No período recente, a China tem-se destacado internacionalmente pela pujança de sua economia e pela invasão de seus produtos no mundo inteiro. Enquanto a Europa, o Japão e os Estados Unidos enfrentam inúmeros percalços, a China mantém-se puxando o crescimento mundial. Na esteira do dinamismo asiático, vem o Brasil, sendo influenciado pela dinâmica chinesa.

Setores como o coureiro-calçadista, o têxtil e mesmo a indústria automobilística precisam enfrentar a dura batalha de ter de competir com o custo da mão de obra chinesa e com sua taxa de câmbio competitiva. No Rio Grande do Sul, o Vale do Rio dos Sinos sofre há anos com a concorrência externa, de modo que algumas empresas, no limite, renderam-se e migraram para o gigante asiático.

Os agentes industriais apontam as suas dificuldades competitivas. Os custos trabalhistas efetivos nas indústrias manufatureiras chinesas correspondem a, aproximadamente, 16% dos vigentes na indústria brasileira. Especificamente nas indústrias têxteis e calçadistas, a proporção fica em 13,8% e 35,4% respectivamente (OIT). No que toca à taxa de câmbio, o real é uma das moedas mais sobrevalorizadas do mundo, e o yuan renmimbi é umas das mais subvalorizadas.

Os agentes industriais apontam as suas dificuldades competitivas. Os custos trabalhistas efetivos nas indústrias manufatureiras chinesas correspondem a, aproximadamente, 16% dos vigentes na indústria brasileira. Especificamente nas indústrias têxteis e calçadistas, a proporção fica em 13,8% e 35,4% respectivamente (OIT). No que toca à taxa de câmbio, o real é uma das moedas mais sobrevalorizadas do mundo, e o yuan renmimbi é umas das mais subvalorizadas.

Os agentes industriais apontam as suas dificuldades competitivas. Os custos trabalhistas efetivos nas indústrias manufatureiras chinesas correspondem a, aproximadamente, 16% dos vigentes na indústria brasileira. Especificamente nas indústrias têxteis e calçadistas, a proporção fica em 13,8% e 35,4% respectivamente (OIT). No que toca à taxa de câmbio, o real é uma das moedas mais sobrevalorizadas do mundo, e o yuan renmimbi é umas das mais subvalorizadas.

Em decorrência dessa configuração, o Brasil vem exercendo seu peso político institucional para contestar a inserção chinesa no mundo, impondo tarifas aos calçados, aos automóveis, aos brinquedos e mesmo aos produtos de menor valor, como escovas de cabelo e óculos. Para 2012, estão previstas também políticas de proteção ao setor têxtil. Há que destacar, entretanto, que, face à competitividade chinesa, tais medidas são paliativas. Salutar é a pressão política brasileira, que se juntou ao coro de países desenvolvidos, ao pressionar a China para valorizar sua taxa de câmbio. Essa articulação política deve ser intensificada. A relevante variação na taxa de câmbio chinesa desde 2005, entretanto, não foi suficiente para que a indústria brasileira conseguisse se proteger.

A despeito das sabidas dificuldades competitivas que os produtos chineses têm gerado sobre a indústria mundo afora, os ganhos para o Brasil não podem ser negligenciados, ainda que as exportações para aquele país sejam compostas majoritariamente por commodities. Destacam-se minério de ferro, soja, óleo de soja e petróleo, que, em 2011, responderam por mais de 80% das exportações (acumulado até novembro). Há que salientar, ainda, a oportunidade de comércio para os suinocultores, que comemoram a recente abertura chinesa ao produto, após cinco anos de negociações, fator que promete impulsionar esse segmento.

Sob esse desempenho, a China tornou-se o principal comprador do Brasil no ano de 2009. Em 2011, a China respondeu por 17,3% das exportações brasileiras, enquanto os Estados Unidos representaram 10,0%, e a Argentina, 8,9% (MDIC). As exportações para a China superaram não apenas os embarques aos Estados Unidos, mas também ao Mercosul como um todo. As compras chinesas quase se equivalem às dos Estados Unidos e da Argentina juntos. Tal desempenho faz a China representar 38,7% do saldo comercial brasileiro no período.

Sabidamente, esses produtos possuem encadeamentos menores do que os produtos acabados, tendo, assim, seus impactos mais restritos à geração de emprego e à multiplicação da renda para outros setores. De toda a sorte, as exportações de manufaturados e semimanufaturados para a China cresceram em termos nominais nos últimos anos. Contudo, o crescimento dos produtos básicos efetivou-se em termos nominais e relativos, aumentando sua participação na pauta de exportação para esse país.

Face aos conflitos concernentes à relação com a China, a política industrial brasileira deverá persistir na proteção dos setores mais prejudicados, assim como continuar utilizando a pressão política nas reuniões internacionais. De todo modo, há a necessidade de adaptação à nova realidade. Longe de se saudar, aqui, a chamada especialização exportadora em torno das commodities, trata-se de ampliar a consciência de que as cartas estão dadas, o jogo está em marcha e as regras são em mandarim. E àquele país importam, por hora, sobretudo produtos primários.

Todavia, há sinais de mudança. Vislumbra-se no horizonte uma maior apreciação do yuan, fato que, de um lado, encarece os produtos chineses no Brasil e, de outro, torna os produtos brasileiros mais baratos na China. Esse movimento traria ganhos à China, ao permitir maior consumo à população local, através do aumento real dos salários. Naturalmente, os rebatimentos desse eventual movimento poderão ampliar a gama de produtos exportados para a China. Nesse interregno, cabe ao Brasil observar o lado positivo da inserção chinesa nas exportações de produtos primários e manter a pressão para que a valorização cambial se acelere. Mesmo em um cenário de inércia, há ganhos ao Brasil.

A China no comércio externo brasileiro

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Os impasses da travessia chinesa em tempo de crise externa

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Edição: Ano 20 nº 12 - 2011

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A economia internacional convive com uma crise sem precedentes nas economias avançadas, no período do pós-guerra. Após a recessão mundial de 2009, o desastre nuclear de Fukushima no Japão, a crise do emprego e a ameaça de suspensão de pagamentos dos títulos nos Estados Unidos e a crise do endividamento da Europa têm contribuído, decisivamente, para a ameaça de um segundo mergulho da economia mundial. Todavia a deterioração do quadro econômico global não se consolidou, devido ao comportamento das economias emergentes e, particularmente, ao desempenho da economia chinesa, cujas autoridades lançaram, no biênio 2009-10, um plano de estímulo da ordem de US$ 2,7 trilhões.

Os resultados alcançados pelo governo de Pequim implicaram taxas elevadas de crescimento econômico e transformaram o País no maior consumidor mundial de energia, de acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE). Segundo o jornal New York Times, em 2009, a China consumiu 2,252 bilhões de toneladas equivalentes de petróleo, superando os Estados Unidos, que consumiram 2,170 bilhões de toneladas equivalentes de petróleo.

O excelente desempenho da economia chinesa foi acompanhado de um superávit comercial de US$ 183 bilhões, de um superávit em conta corrente de US$ 306,2 bilhões e de um acúmulo de US$ 1,16 trilhão em títulos da dívida do tesouro norte-americano ao final de 2010.

No final de dezembro do exercício passado, o Banco do Povo identificou duas restrições na gestão da economia — alta de preços e excesso de liquidez — e elevou a taxa de juros, porque era necessário conter o processo inflacionário e buscar a meta oficial de 4,0%. A prioridade no combate à inflação fica evidente à medida que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) avançou 3,3% (2010) e deve fechar em 5,5% em 2011, de acordo com o FMI.

Embora o ritmo de crescimento se mantenha em taxas elevadas, a economia chinesa convive com um processo de desaceleração desde o início da corrente década. O PIB cresceu 10,3% em 2010 e 9,5% em 2011 e deve registrar um incremento de 9,0% em 2012, conforme o Panorama Econômico Mundial do FMI. No final de maio, Pier Carlo Padoan, Economista- Chefe da Organização Para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em entrevista ao jornal Valor, alertou que a desaceleração da economia chinesa poderia ser ainda maior, embora tenha descartado a hipótese de uma aterrissagem forçada, porque a articulação entre o setor financeiro e a economia real não é tão forte como em outras economias. Essa opinião não é acompanhada por Michael Pettis, Professor da Universidade de Pequim, que acredita que a desaceleração se aprofundará para 3,0% após 2013, por causa do aumento do consumo em detrimento da expansão do investimento.

A par da desaceleração da economia e com o avanço da crise externa, a economia chinesa passou a conviver, ao longo de 2011, com taxas de inflação no patamar de 6,5% e com forte alta nos preços dos alimentos em meados do ano, exigindo novas elevações de taxas de juros e enxugamento da liquidez por parte das autoridades monetárias. Em setembro, a inflação recuou para 6,1%, e, em outubro, houve novo recuo, dessa vez para 5,5%.

Em setembro, após dois meses consecutivos, o impacto da crise externa — e, particularmente, o relacionamento comercial com a União Europeia — evidenciou uma desaceleração do superávit comercial do País. Na ocasião, o governo de Pequim, aparentemente, fez-se valer da redução nos preços das commodities para adquirir volumes maiores de metais — minério de ferro e cobre —, contribuindo, dessa forma, para que os preços das matérias-primas não viessem a encontrar um novo piso no mercado internacional.

Em meados de outubro, a comunidade internacional foi surpreendida com a intervenção da Central Huijin Investment do Fundo Soberano, que adquiriu ações dos bancos Agrícola, Industrial e Comercial, da Construção, e do próprio Banco da China, os quatro maiores intermediários financeiros do País. A volatilidade das bolsas decorrente da debilidade das ações daqueles bancos e do aumento dos créditos podres, produto da contenção do crédito posto em prática anteriormente para combater a inflação, exigiu a nova intervenção das autoridades econômicas.

Logo a seguir, o governo de Wen Jiabao lançou um novo pacote, dessa vez um plano para socorrer com crédito o segmento das pequenas empresas, que se ressentiu com a queda das exportações e que se encontrava sob ameaça de quebra face à nova conjuntura vigente na China.

Não bastassem as mudanças em curso na conjuntura econômica chinesa, as próprias autoridades locais passaram a conviver com o alerta do FMI quanto à possibilidade de o País estar criando uma bolha imobiliária, devido às limitações das opções da poupança. Os analistas econômicos vêm enfatizando, também, o avanço das dívidas dos governos locais (que vencem no próximo biênio 2012-13), o que exigiu que as autoridades centrais autorizassem os governos locais — as províncias de Zhejiang e Guangdong e as cidades de Xangai e Shenzen — a emitirem títulos para evitar um choque de crédito e socorrer a demanda doméstica.

Recentemente, o FMI voltou a enfatizar a vulnerabilidade do sistema bancário da China após a realização de teste de estresse nos 17 maiores bancos do País. Se houver combinação de queda no valor dos ativos, alteração na cotação do yuan e ajuste no mercado imobiliário, o sistema financeiro local poderá ser duramente atingido, de acordo com os estudos realizados, conjuntamente, pelo FMI e Banco Mundial.

E, assim, as autoridades chinesas devem monitorar a desaceleração da economia em 2012, com a atenção voltada para a estabilidade. Será necessário prosseguir o esforço em direção à meta de inflação, com atenção redobrada no impacto da crise europeia sobre as exportações locais. Ao mesmo tempo, é fundamental conter a ameaça da bolha imobiliária, prevenir a possibilidade de uma crise bancária, viabilizar as atividades dos governos locais e preparar-se para os desafios da flexibilização da taxa de câmbio e da priorização do mercado interno.

Os impasses da travessia chinesa em tempo de crise externa

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Fertilizantes no Brasil: dependência das importações

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Edição: Ano 17 nº 09 - 2008

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As importações de fertilizantes no Brasil representaram, em 2007, 74% do suprimento desses produtos. O consumo nacional de nitrogênio foi suprido em 75% com importações; o de fósforo, em 51%, e o de potássio, em 92%. De acordo com a Associação Nacional Para Difusão de Adubos (ANDA), entre janeiro e julho de 2008, a quantidade de fertilizantes entregue ao consumidor final cresceu 19,94% em relação a igual período do ano anterior, enquanto a produção nacional de fertilizantes intermediários cresceu 5,07%, e a importação desses mesmos produtos aumentou 12,40%.

Constata-se um aquecimento no consumo mundial de fertilizantes, uma vez que países como China e Índia elevaram a demanda por razões de segurança alimentar, e os EUA têm necessidade de produzir mais grãos para fins alimentares, competindo com a produção de etanol com base no milho. No Brasil, o aumento na produção de grãos, cereais e fibras e também a produção de etanol, através da cana-de-açúcar, contribuem para que o consumo seja crescente.

Dessa forma, a dependência do Brasil das importações de fertilizantes, face à insuficiência da oferta mundial desses produtos em um mercado de commodities aquecido, reflete-se no movimento de alta nos preços dos mesmos. Assim, no País, enquanto o Índice de Preços por Atacado (FGV-IPA-10) aumentou 19,82% entre janeiro de 2007 e julho de 2008, o IPA Fertilizantes (FGV-IPA-OG-Fertilizantes) apresentou expressivo crescimento de 150,92%. Essa tendência gera preocupação nos produtores, com a elevação dos custos de produção e a possível diminuição da rentabilidade, e no Governo, pela necessidade de propor novas políticas públicas, aliadas a estratégias privadas, que venham a amenizar, no médio prazo, tamanha dependência e aprimorar o funcionamento desse mercado.

Fertilizantes no Brasil dependência das importações

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Aumenta o comércio com a China: um desafio para as empresas

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Edição: Ano 16 nº 06 - 2007

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Nos últimos anos, verificou-se forte incremento nas transações comerciais do Brasil e do RS com a China, que passou a ser um dos principais mercados de destino das exportações e de origem das importações nacionais e estaduais. Estimuladas pelo elevado ritmo de crescimento da economia chinesa e por um câmbio favorável, as vendas para esse destino cresceram significativamente até abr./04, atingindo 160% em relação ao início do período em análise. A partir daí, em nível nacional, o acréscimo das exportações ocorreu em menor ritmo, com uma taxa de elevação de 67% no período maio/04-abr./07. Já no Estado, as vendas decresceram, por dois sucessivos períodos de 12 meses, até abr./06, devido a problemas climáticos que afetaram as vendas de tradicionais produtos da pauta exportadora gaúcha, como os do complexo soja. Portanto, o intenso acréscimo nestes 12 últimos meses até abr./07 deu-se sobre uma base muito pequena.

Com a valorização do real, que se acentuou ao longo dos últimos 24 meses, nota-se um elevado crescimento das importações provenientes da China, em especial de materiais eletroeletrônicos, decorrente, em grande parte, da estratégia de integração vertical internacional de empresas no setor.

Apesar do crescimento do intercâmbio comercial com a China nos últimos anos, as exportações brasileiras e gaúchas para esse país ainda estão muito concentradas em commodities. Assim, parece ser indispensável a diversificação da pauta de exportações, elevando o valor agregado dos produtos exportados, bem como a ampliação de alianças estratégicas com empresas chinesas, evitando, com isso, as barreiras protecionistas e ampliando a transferência de tecnologia. Esse é o grande desafio.

Aumenta o comércio com a China um desafio para as empresas

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