Textos com assunto: celulose

A indústria brasileira de celulose de mercado: um setor em expansão

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Edição: Ano 24 nº 04 - 2015

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Para o próximo mês de maio, está previsto o início das operações da nova linha de produção da Celulose Riograndense, do grupo chileno CMPC, no RS. O investimento, estimado em R$ 5,0 bilhões, elevará a capacidade da fábrica de 450.000 t/ano para 1,75 milhão t/ano. O RS expandirá sua participação dos atuais 4% para 12% no total da capacidade instalada do Brasil. Nos últimos três anos, o País protagonizou importantes investimentos no segmento de celulose de mercado (ramo que produz apenas a pasta). Além da ampliação referida, foram instaladas duas novas fábricas: a Eldorado Brasil, no Município de Três Lagoas (MS), e a unidade de Imperatriz, no município de mesmo nome (MA), da Suzano Papel e Celulose. Até 2020, estão previstos mais investimentos, que elevarão a capacidade instalada dos atuais 14 milhões t/ano para 21 milhões t/ano. O impacto do aumento da capacidade instalada brasileira na oferta mundial não deverá pressionar os preços da commodity. Isso porque vem ocorrendo o fechamento de fábricas menos competitivas em outros países, como observado em 2014, nos EUA e na Espanha.

A reboque dessa expansão, projeta-se também no País uma elevação das áreas de monocultura florestal. De acordo com a Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas (Abraf), em 2013, a monocultura florestal ocupou uma área de 7,6 milhões de hectares, indicando um crescimento de 2,8% em relação a 2012. Nesse mesmo período, a monocultura de eucalipto, principal matéria-prima da pasta brasileira, apresentou variação de 3,2%, representando 72% da área total de florestas plantadas.

Os últimos dados da Organização das Nações Unidas Para a Alimentação e a Agricultura (FAO) confirmam a posição da indústria brasileira na geografia mundial da celulose. Em 2013, no segmento de celulose branqueada sulfato/kraft — principal tipo comercializado —, o Brasil foi o segundo maior produtor (12,5 milhões t/ano, 13,3% da produção mundial) e o primeiro exportador (9,4 milhões t/ano, 20% da exportação mundial). O País exporta cerca de 80% de sua produção, abastecendo, principalmente, os mercados europeu e asiático. É pertinente acrescentar que a continuidade dessa expansão exigirá atenção especial quanto aos seus impactos ambientais.

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A ascensão do Cone Sul na matriz mundial de celulose

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Edição: Ano 21 nº 02 - 2012

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A indústria mundial de celulose vem sofrendo relevantes alterações locacionais nos últimos 20 anos, em razão dos novos investimentos no Hemisfério Sul, particularmente, na região do Cone Sul (Argentina, Brasil, Chile e Uruguai). Essa estratégia de localização deve-se, principalmente, à excelente adaptação do eucalipto na região, possibilitando uma notável produtividade a um menor custo, associada à forte expansão da demanda nos países emergentes (principalmente, pela China). Embora o eucalipto seja a matéria-prima principal no Cone Sul, a celulose também pode ser obtida de árvores como pínus, araucária, cipreste, álamo e acácia.

Conforme os dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), em 2010, a produção mundial de celulose branqueada — sulfato/kraft (a mais produzida e destinada para a fabricação de papéis de melhor qualidade e maior absorção) — foi de 89,1 milhões de toneladas, indicando um acréscimo de 5,1% em relação a 2009.

Segmentando-se a produção por regiões, os maiores volumes produzidos em 2010 foram na América do Norte (36,9% do total mundial) e na Europa (23,7% da produção total). A Ásia ocupou o terceiro lugar (18,7%), e o Cone Sul encontra-se logo a seguir (18,5% da produção mundial).

No caso do Cone Sul, a expansão da celulose branqueada deu-se a partir da década de 90. Entre os anos de 1990 e 1999, a produção média na região alcançou 5,6 milhões de toneladas por ano, tendo a mesma se elevado para 11,7 milhões de toneladas por ano entre 2000 e 2010. Cabe destacar que a taxa média de crescimento anual da produção, no Cone Sul, foi de 8% entre 2000 e 2010, sendo a mesma de -1,5% e de 1,5% na América do Norte e na Europa respectivamente. No Brasil, o acréscimo da produção média acompanhou a tendência do Cone Sul, com uma taxa média de crescimento anual também de 8%.

As exportações mundiais de celulose branqueada atingiram 40,3 milhões de toneladas em 2010. Desse montante, o Cone Sul exportou 12,6 milhões de toneladas (31,2%), ficando apenas atrás da América do Norte, que exportou 12,9 milhões de toneladas (32,1%). Em comparação com o ano anterior, houve um decréscimo de 5,9%, retificando a posição alcançada de primeiro exportador mundial de celulose branqueada.

No tocante às importações, Ásia e Europa aparecem como os maiores demandantes. Em 2010, foram importados 37,3 milhões de toneladas, sendo que 40,8% destinadas ao mercado asiático e 40,2% ao mercado europeu. Nesse ano, as importações do Cone Sul atingiram 531,9 mil toneladas, com o Brasil colocando-se como o principal importador (401,9 mil toneladas, 75,6% do total importado na região).

Examinando-se a evolução da balança comercial, fica evidente a posição do Cone Sul como o maior exportador líquido do mercado mundial de celulose branqueada. Entre as regiões, apenas o Cone Sul e a América do Norte são superavitários no comércio mundial desse produto. Particularmente, vale destacar a posição do Cone Sul, em virtude dos crescentes superávits alcançados a partir de 1990, sendo que o maior nível foi atingido em 2009, quando a diferença entre as exportações e as importações ficou em 12,9 milhões de toneladas. Em 2010, o superávit foi de 12,1 milhões de toneladas. As outras duas grandes regiões produtoras de celulose branqueada, Ásia e Europa, mostraram-se deficitárias na produção de celulose ao longo da série analisada e, especialmente de 1990 em diante, com o peso das importações sendo ali cada vez maior.

Essas informações asseveram a importante posição que vem assumindo o Cone Sul no mercado mundial de celulose branqueada, dando indícios dos efeitos do deslocamento das matrizes produtivas de celulose do Hemisfério Norte para o Hemisfério Sul.

Balança comercial do mercado de celulose branqueada (sulfato/kraft), segundo as principais regiões, no mundo — 1980-2010

FONTE DOS DADOS BRUTOS: FAO.
NOTA: 1. O item “demais regiões” agrega o restante da América do Sul, a América Central, a África e a Oceania.
2. Dados de 16.01.12.

Fernanda Queiroz Sperotto
Economista, Pesquisadora da FEE
A ascensão do Cone Sul na matriz mundial de celulose

A indústria mundial de celulose vem sofrendo relevantes alterações locacionais nos últimos 20 anos, em razão dos novos investimentos no Hemisfério Sul, particularmente, na região do Cone Sul (Argentina, Brasil, Chile e Uruguai). Essa estratégia de localização deve-se, principalmente, à excelente adaptação do eucalipto na região, possibilitando uma notável produtividade a um menor custo, associada à forte expansão da demanda nos países emergentes (principalmente, pela China). Embora o eucalipto seja a matéria-prima principal no Cone Sul, a celulose também pode ser obtida de árvores como pínus, araucária, cipreste, álamo e acácia.

Conforme os dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), em 2010, a produção mundial de celulose branqueada — sulfato/kraft (a mais produzida e destinada para a fabricação de papéis de melhor qualidade e maior absorção) — foi de 89,1 milhões de toneladas, indicando um acréscimo de 5,1% em relação a 2009.

Segmentando-se a produção por regiões, os maiores volumes produzidos em 2010 foram na América do Norte (36,9% do total mundial) e na Europa (23,7% da produção total). A Ásia ocupou o terceiro lugar (18,7%), e o Cone Sul encontra-se logo a seguir (18,5% da produção mundial).

No caso do Cone Sul, a expansão da celulose branqueada deu-se a partir da década de 90. Entre os anos de 1990 e 1999, a produção média na região alcançou 5,6 milhões de toneladas por ano, tendo a mesma se elevado para 11,7 milhões de toneladas por ano entre 2000 e 2010. Cabe destacar que a taxa média de crescimento anual da produção, no Cone Sul, foi de 8% entre 2000 e 2010, sendo a mesma de -1,5% e de 1,5% na América do Norte e na Europa respectivamente. No Brasil, o acréscimo da produção média acompanhou a tendência do Cone Sul, com uma taxa média de crescimento anual também de 8%.

As exportações mundiais de celulose branqueada atingiram 40,3 milhões de toneladas em 2010. Desse montante, o Cone Sul exportou 12,6 milhões de toneladas (31,2%), ficando apenas atrás da América do Norte, que exportou 12,9 milhões de toneladas (32,1%). Em comparação com o ano anterior, houve um decréscimo de 5,9%, retificando a posição alcançada de primeiro exportador mundial de celulose branqueada.

No tocante às importações, Ásia e Europa aparecem como os maiores demandantes. Em 2010, foram importados 37,3 milhões de toneladas, sendo que 40,8% destinadas ao mercado asiático e 40,2% ao mercado europeu. Nesse ano, as importações do Cone Sul atingiram 531,9 mil toneladas, com o Brasil colocando-se como o principal importador (401,9 mil toneladas, 75,6% do total importado na região).

Examinando-se a evolução da balança comercial, fica evidente a posição do Cone Sul como o maior exportador líquido do mercado mundial de celulose branqueada. Entre as regiões, apenas o Cone Sul e a América do Norte são superavitários no comércio mundial desse produto. Particularmente, vale destacar a posição do Cone Sul, em virtude dos crescentes superávits alcançados a partir de 1990, sendo que o maior nível foi atingido em 2009, quando a diferença entre as exportações e as importações ficou em 12,9 milhões de toneladas. Em 2010, o superávit foi de 12,1 milhões de toneladas. As outras duas grandes regiões produtoras de celulose branqueada, Ásia e Europa, mostraram-se deficitárias na produção de celulose ao longo da série analisada e, especialmente de 1990 em diante, com o peso das importações sendo ali cada vez maior.

Essas informações asseveram a importante posição que vem assumindo o Cone Sul no mercado mundial de celulose branqueada, dando indícios dos efeitos do deslocamento das matrizes produtivas de celulose do Hemisfério Norte para o Hemisfério Sul.

A ascensão do Cone Sul na matriz mundial de celulose

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A indústria de celulose e papel no Brasil: oportunidades aproveitadas, desafios futuros

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Edição: Ano 17 nº 04 - 2008

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A indústria tradicional de papel . localizada na Europa e nos Estados Unidos . enfrentou desafios importantes ao longo da década de 90, cuja resposta implicou mudanças estruturais profundas, que passaram a impactar diretamente a economia brasileira e, recentemente, a Metade Sul do Rio Grande do Sul.

No campo dos desafios, tem-se presente a concorrência que lhe vem fazendo a mídia eletrônica, o comportamento medíocre dos preços internacionais do papel em geral (gráfico) e o aumento da concorrência em âmbito mundial, protagonizada por um grupo de late-comers, constituído principalmente por países asiáticos.

A resposta dada pela indústria tradicional relaciona-se estreitamente a mudanças no suprimento da matéria-prima. Nesse campo, ocorreu uma extraordinária diversificação geográfica do abastecimento da pasta de celulose para fabricação do papel, acompanhada da exploração em escala crescente de novas espécies florestais, cujo melhor exemplo se encontra na fibra obtida a partir da madeira do eucalipto. As novas condições de produção resultaram em uma pasta celulósica de maior e crescente produtividade, portanto, de custos menores e decrescentes.

O Brasil é tradicional exportador nesse segmento de matéria- -prima. Desde 1990, pelo menos, aparece nas cinco primeiras posições (terceiro lugar em 2006) do ranking dos maiores exportadores mundiais de polpa de madeira para papel. No segmento produtor de fibra de eucalipto, ele é líder mundial, e, no momento, processa-se um importante aumento da capacidade instalada no setor, contemplando o Rio Grande do Sul.

Para os produtores de celulose, como o Brasil e a Indonésia, a entrada forte da China no mercado internacional como compradora foi um fator propulsor das exportações. O País, a partir de 1998, passou a constar da lista dos cinco maiores compradores mundiais da commodity, subindo de posição até ocupar a liderança das importações em 2002. Em 1992, o valor em dólares das importações de pasta de celulose da China somava 1%; em 2006, 19,7% do total do comércio mundial. O Brasil e a Indonésia forneceram, em conjunto, 51% da matéria-prima proveniente das espécies florestais não coníferas àquele país, ocupando o segundo e o primeiro lugar, respectivamente, na lista dos seus fornecedores. A importância chinesa no mercado internacional de papel, por seu lado, é inexpressiva com relação ao da celulose, tendo sofrido redução de 3,4% para 2,9% entre 1992 e 2006. As diferenças podem estar associadas a esforços de industrializa ção naquele país.

O Brasil, sob a liderança de grandes grupos produtores nacionais e internacionais, soube inegavelmente se aproveitar de um mercado global de matérias-primas em franca expansão. Se o comportamento do volume físico das exportações de papel mantiver o dinamismo dos últimos anos, não há motivo para que o País não venha a ocupar outra posição na divisão internacional do trabalho, exportando mercadorias de maior valor agregado, como, no caso, papel.

A indústria de celulose e papel no Brasil

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Rio Grande do Sul: novo pólo de desenvolvimento florestal

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Edição: Ano 16 nº 11 - 2007

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Um fato econômico novo e gerador de novas perspectivas para a economia estadual é a sua inserção no processo recente de reorganização espacial das indústrias de papel e celulose nos âmbitos mundial e nacional. A tendência aponta o deslocamento relativo da indústria do Hemisfério Norte para o Hemisfério Sul e, internamente, do eixo São Paulo-Espírito Santo em direção a outros estados.

Em meio a uma importante controvérsia sobre os impactos ambientais do processo, o fato é que o RS — especialmente sua região sul — vem se constituindo em uma área privilegiada de expansão de novos empreendimentos voltados à produção de celulose, processo liderado por importantes grupos empresariais, estrangeiros e nacionais, atuantes no mercado da pasta celulósica e do papel.

A realocação das atividades florestais em âmbito mundial vem privilegiando o Brasil e incluindo, também, o Uruguai e a Argentina.Tendo em vista a instalação e/ou expansão desses investimentos concomitantemente às dos direcionados à região sul do RS, poder-se-ia, até, ir mais além e supor que a convergência geográfica dos projetos corresponderia a estratégias empresariais de formação de um único e novo pólo de desenvolvimento florestal no Cone Sul. Não sendo o pressuposto verdadeiro, então, movimentos independentes dos operadores entre si terminariam significando a constituição do eixo. De todas as maneiras, um movimento dessa natureza só vem reforçar a posição do Estado como área atrativa para investimentos.

A cadeia de base florestal brasileira é internacionalizada, considerando-se a presença de grandes grupos estrangeiros no setor, a profunda integração dos grupos nacionais ao comércio internacional da produção madeireira e, ainda, a imbricação dos interesses de ambos, expressa em associações econômicas de variados tipos (participação no capital, troca de ativos, joint ventures).

Todos esses operadores — os recém-chegados e os estabelecidos, independentemente de sua nacionalidade — haviam concentrado as atividades no polígono São Paulo, Espírito Santo, Bahia, Paraná e Minas Gerais, relegando o Rio Grande do Sul a uma posição marginal. Tanto é assim, que se observa que, em todos os elos da cadeia de celulose e papel, é inexpressiva a presença do Estado, com uma importância relativa que diminui à medida que se avança na cadeia de agregação de valor (tabela).

Considerando a natureza internacional das empresas que lideram o processo de dispersão geográfica dos investimentos em direção ao RS, tem-se, naturalmente, a integração da nova base produtiva estadual ao mercado global.

Do ponto de vista puramente econômico, a reorganização espacial da indústria de celulose e papel em âmbito mundial está associada, de forma importante, à preservação da rentabilidade, que vem sendo ameaçada por custos crescentes da matéria-prima (madeira) em regiões tradicionalmente produtoras do Hemisfério Norte. Certas áreas do Hemisfério Sul apresentam vantagens comparativas nesse particular. Considere-se o Brasil. No País, os índices registrados na produção de madeira de eucalipto, em 2006, atingiam de 38 a 41m3/ha/ano, enquanto, em outros importantes centros produtores — Austrália e região sul dos EUA, como exemplos —, os rendimentos eram bem inferiores, situando-se em 25m3/ha/ano e 6m3/ha/ano respectivamente. São essas vantagens que permitem apostar que o processo de dispersão dos investimentos continuará beneficiando o Brasil.

Os projetos previstos para a cadeia produtiva florestal, uma vez executados e maturados plenamente, significam a estruturação de uma importante cadeia de produção de celulose no setor do agronegócio do RS, competitiva mundialmente, subtraindo o Estado de sua condição de produtor marginal.

Podem-se esperar profundos desdobramentos dos novos investimentos, principalmente sobre a matriz produtiva da região sul do Estado, sobre o desempenho da balança de comércio externo e sobre a infra-estrutura de transporte. Cabem estudos aprofundados sobre, pelo menos, esses grandes temas, cujos resultados, ajuntados a uma base maior de informações — relacionadas estas aos impactos ambientais e sociais dos projetos —, possam subsidiar o Governo na formulação de um marco regulatório para essa que será uma expansão em grande escala do setor florestal.

Rio Grande do Sul novo pólo de desenvolvimento florestal

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