Textos com assunto: balanço de pagamentos

As excelentes contas externas nacionais em 2005

Por:

Edição: Ano 15 nº 04 - 2006

Área temática:

Assunto(s):

Em 2005, o Brasil logrou reduzir sua dívida líquida externa e ampliar suas reservas estrangeiras. A dívida externa total mais empréstimos intercompanhia — de US$ 220,2 bilhões em dezembro de 2004 — caiu para US$ 201,2 bilhões em outubro de 2005. As reservas externas líquidas ajustadas — quer dizer, descontadas quaisquer dívidas com o FMI — subiram de US$ 27,5 bilhões em dezembro de 2004 para US$ 50,8 bilhões em novembro do ano seguinte. Várias das diferentes operações entre o Brasil e o “resto do mundo” contribuíram para a boa performance do balanço de pagamentos. Contudo os responsáveis maiores pelas entradas líquidas de recursos apontam, por ordem decrescente, a balança comercial, os investimentos diretos e os investimentos em carteira.

As excelentes contas externas nacionais em 2005

Como ocorre desde 2002, o crescimento do saldo da balança comercial nacional, em 2005, superou todas as expectativas. No início do ano, as projeções do superávit variavam em torno de US$ 30,0 bilhões; alcançaram US$ 44,8 bilhões. Dessa forma, o saldo em transações correntes atingiu inusitados US$ 14,2 bilhões, não obstante o déficit com serviços e rendas ter sido de US$ 34,1 bilhões, com taxa de crescimento de 35,4%. O câmbio valorizado incentivou esse crescimento, como foi o caso dos lucros e dividendos, que atingiram montante recorde.

Por outro lado, a soma das contas capital e financeira apontou déficit de US$ 8,8 bilhões. Esses números, à primeira vista, sugerem a continuidade de uma contração dos financiamentos externos. A observação mais cuidadosa, contudo, evidencia uma realidade diversa. Cabe notar de imediato que os investimentos diretos, apesar do baixo ritmo de crescimento do PIB nacional, sustentaram montante expressivo — US$ 12,7 bilhões. Foram expressivos também os investimentos em carteira (US$ 4,9 bilhões); nesse caso, o fator de crescimento foi a aquisição de ações, no valor líquido de US$ 6,4 bilhões, fato que reflete uma maior confiança nas possibilidades de crescimento futuro da economia. Das contas capital, a que “puxou” fortemente o saldo dos fluxos de capitais internacionais para baixo foi a chamada outros investimentos. Seu enorme déficit reflete, em primeiro lugar, os elevadíssimos pagamentos antecipados com que o Banco Central do Brasil eliminou seus débitos junto ao FMI e, em segundo lugar, os pagamentos privados externos, que têm aproveitado o “câmbio barato”. Em suma, o grande déficit em outros investimentos manifesta, antes de mais nada, a folga de divisas estrangeiras e, mais importante, reflete a continuidade de um processo de melhoria das condições externas da economia brasileira.

Compartilhe