Textos com assunto: agropecuária

Evolução da produção e da ocupação na agropecuária gaúcha 2006-15

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Edição: Ano 26 nº 11 – 2017

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A importância da agropecuária no Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho já ensejou trabalhos nesta Carta de Conjuntura, os quais indicam que o Setor Primário dita o diferencial do comportamento do PIB estadual em torno da média nacional. Ademais, observa-se um desempenho relativamente superior da agropecuária (36%) em relação à indústria (16%), aos serviços (29%) e ao produto estadual total (26%), no período 2006-14. No período mais recente, biênio 2015-16, a agropecuária descolou-se ainda mais dos demais setores, enquanto ela cresceu (6,99%) os outros setores decresceram (indústria, -14,56%; serviços, -3,8%; e VAB total, -5,32%) devido à forte crise.

Esse crescimento ocorreu, sobretudo, pelo aumento de produtividade, haja vista a fronteira agrícola estar consolidada há algumas décadas no Estado. Nesse contexto, compreender como a utilização do fator trabalho no setor vem evoluindo é algo relevante e nada trivial. A escassez de pesquisas censitárias faz com que se utilizem dados, sobretudo do emprego formal ou celetista, advindos da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego, a fim de acompanhar o desempenho mais atual do setor. No entanto, isso tem limitações. Para se ter ideia, o último Censo Agropecuário realizado no Brasil ocorreu em 2006. Por meio dele, observou-se que o Rio Grande do Sul tinha 1,231 milhão de pessoas ocupadas na agropecuária, sendo 991,660 mil na agricultura familiar e 72.261 empregados permanentes (5,87% do total). Esta última categoria censitária (emprego permanente) seria, ainda que de forma incompleta, a mais apropriada para se verificar a magnitude do emprego formal dentro do Censo. De fato, sua magnitude mostrou-se bastante similar ao que os dados da RAIS indicavam (73.870) como empregos formais, em 2006, na agropecuária gaúcha. Proporção similar do emprego formal dentro do total das ocupações da agropecuária também é obtida por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), que indicou, em 2006, um total de 1,352 milhão de pessoas na agropecuária gaúcha, contando com 78.003 empregos com carteira assinada, ou, 5,77% do total ocupado.

De posse da fotografia para o ano de 2006, utilizamos os dados da RAIS e da PNAD para inferir a evolução da ocupação na agropecuária gaúcha e nacional (tabela). Essas fontes (RAIS e PNAD) mostram tendências divergentes para o emprego formal: enquanto a RAIS indica crescimento, a PNAD mostra queda deste no conjunto da agropecuária gaúcha. Apesar da redução absoluta, a PNAD indica um aumento relativo do emprego formal no RS, que tem sua participação aumentada de 5,77% para 6,97% entre 2006 e 2015. A partir dessas participações, se forem utilizados os dados da RAIS de 2015 para o emprego formal, chegaremos a um total de ocupação naagropecuária gaúcha de 1,2 milhão (83.914/6.97), superior aos 932.000 ocupados indicados pela PNAD de 2015. Assim, seja pela amostra da PNAD, seja pela extrapolação das informações da RAIS de 2015 — mesmo que de maneira menos intensa —, observamos uma redução do emprego total na agropecuária gaúcha. Essa mesma tendência ocorre no País, onde parece haver uma maior formalização das ocupações (11,87%) e onde é maior a redução do total de ocupados na agropecuária — de um total de 16,5 milhões de ocupações na agropecuária nacional pelo Censo de 2006, a evolução seria para um total de 13,4 milhões de acordo com a PNAD ou de 12,5 milhões pela extrapolação das informações da RAIS, em 2015.

Os dados da PNAD contínua também reforçam o aumento relativo do emprego formal e a redução no contingente ocupacional total nas agropecuárias gaúcha e brasileira, no período 2016-17. Todo esse processo — de redução do emprego total com aumento (ainda que relativo) da ocupação formal — é algo a se esperar pelo contínuo processo de modernização da agropecuária, com aumento do uso de máquinas, sementes e pacotes tecnológicos, que, se, por um lado, reduzem a mão de obra empregada por unidade de área cultivada, por outro também acentuam a demanda por mão de obra mais qualificada (e, em geral, formalizada) para desempenhar a atividade. Outros fatores, como a redução do tamanho das famílias e o êxodo rural, sobretudo dos mais jovens em busca de oportunidades de estudo, também podem estar contribuindo para a queda no total de ocupação da agropecuária. Cabe ressaltar, porém, que a produção da agropecuária não diminuiu nesse período. Assim, essa provável redução da mão de obra empregada do setor seria mais um indício do aumento da produtividade, que permite gerar uma produção crescente, mesmo liberando mão de obra para outros setores. Nesse contexto, estratégias que favoreçam o beneficiamento da produção pelos próprios produtores, como, por exemplo, a facilitação do desenvolvimento de agroindústrias familiares, podem ajudar a conter o êxodo rural e a internalizar ainda mais os ganhos do aumento da produtividade do Setor Primário. Por fim, destaca-se que, com a divulgação do Censo Agropecuário Nacional pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no próximo ano, se espera que seja possível avaliar se essas tendências de fato se confirmam e em que magnitude.

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A atratividade do Setor Primário gaúcho

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Edição: Ano 21 nº 09 - 2012

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Diversos trabalhos mostram que a trajetória da economia gaúcha tem vinculação direta com o desempenho de suas atividades primárias. Nesse sentido, compreender como a atratividade econômica desse setor vem evoluindo é estratégico para os tomadores de decisão. Ocorre que essa é uma tarefa difícil, na qual nem sempre é possível vislumbrar a direção correta, dada a complexidade dos fatores envolvidos. Se, por um lado, o aumento do crédito (para custeio e investimento) e a introdução de novas tecnologias tendem a favorecer o setor, por outro lado, o aumento das restrições ambientais, dos custos de insumos e mesmo a incidência de eventos climáticos extremos (enchentes ou estiagens) reduzem e, não raro, tornam negativa a sua rentabilidade. Tem-se, ainda, a desvalorização cambial, com resultado mais ambíguo, aumentando os preços tanto dos produtos como dos insumos utilizados.

Sabendo-se que a conjugação de todos esses fatores não é unívoca e com o objetivo de lançar luz sobre o assunto, o gráfico abaixo apresenta a evolução das relações de troca da agropecuária gaúcha de janeiro de 2000 a abril de 2012. Para tanto, divide-se o índice de preços recebidos (IPR) pelo índice de preços pagos (IPP) pelos produtores, calculados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Sua interpretação é direta, mostrando que, quando o índice é superior a 100, os produtores estão beneficiando-se nas suas trocas, e, quando é menor, ocorre o contrário.

Um primeiro ponto que se observa é que, com pequenas oscilações, a evolução positiva se mantém até o final de 2004. Destaques desse período, que favoreceram os preços recebidos, foram a desvalorização cambial de 2002 e o aumento das exportações, sobretudo de soja para a China. Do início de 2005 até o final de 2007, o indicador mostrou-se negativo aos produtores rurais. Esse resultado é ainda mais nefasto, se relembrarmos que, em 2005, uma forte estiagem atingiu o RS. Assim, não bastasse a importante quebra de safra — que, para os grãos de verão (soja, milho, feijão e arroz), foi de mais de um terço —, os produtores viram seus custos subirem mais que suas receitas. Não é de se estranhar que, em 2005, a economia gaúcha tenha decrescido 2,8%.

A partir de 2008 até meados de 2011, houve uma relativa estabilização dos termos de troca. A tendência de alta que então se apresenta é sustentada por aumento dos preços recebidos e pela estagnação dos preços pagos.

O indicador mostra, portanto, sinais de melhora na atratividade do segmento agropecuário estadual, sobretudo no período mais atual. Deve-se ressaltar, porém, que esses resultados devem ser analisados com cuidado, pois não captam diretamente a variação da produtividade e nem as particularidades das diferentes culturas agrícolas e das atividades pecuárias, que são consideravelmente heterogêneas.

Apesar dessas limitações, outros indicadores reforçam a existência de uma melhora na atratividade da agropecuária gaúcha. Por exemplo, o preço real médio do arrendamento de terras no RS, calculado pela FGV, aumentou cerca de 50% entre dezembro de 1999 e junho de 2010 — último dado disponível. Já o preço de venda da terra subiu ainda mais, com ganhos reais acima de 120% para terras de pastagens e de 140% para áreas de lavoura. A elevação do preço do arrendamento é indicativo do crescimento da renda operacional propiciada pela atividade. Já a alta do preço de venda da terra reflete também a expectativa de valorização da mesma.

A principal questão que se apresenta é se essa tendência positiva de preços tende a continuar. Fatores como preços internacionais em ascensão, aumento da demanda por carnes, soja e biocombustíveis, crescimento do crédito rural, desvalorização cambial, e, recentemente, a estiagem nos EUA, dentre outros, são sinais indicativos de continuidade dessa tendência, pelo menos no futuro próximo. Desse modo, o momento parece propício para que os investimentos (públicos e privados) sejam direcionados para a atenuação dos riscos climáticos (estiagens e enchentes), mitigando as oscilações negativas da produção, para que a melhoria de renda se torne uma realidade para os produtores rurais, beneficiando toda a economia gaúcha.

A atratividade do Setor Primário gaúcho

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Por que a agropecuária continua sendo determinante do crescimento da economia gaúcha

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Edição: Ano 17 nº 02 - 2008

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Nos últimos anos, o desempenho da economia do RS tem sido muito próximo ao da economia brasileira, embora com oscilações mais acentuadas. Boa parte dele, bem como das variações da economia gaúcha, deve-se à agropecuária e ao comportamento irregular da sua produção ao longo do tempo. Como pode ser observado na tabela, de uma forma geral, pode-se dizer que, em anos em que a agropecuária apresenta um bom desempenho, a economia do Estado também o faz. Além disso, quando ocorrem supersafras nas lavouras de verão, como as dos anos de 2003 e 2007, a tendência é que a economia do RS tenha crescimento superior ao da média nacional. Assim, como as informações da agropecuária, principalmente as das lavouras de verão, são conhecidas antes de terminar o ano, elas se constituem em importantes indicadores antecedentes do desempenho do conjunto da economia estadual.

A questão, então, é saber por que, apesar de sua pequena e declinante participação no PIB estadual (aproximadamente 10%), a agropecuária continua exercendo papel tão decisivo nas taxas de crescimento do conjunto da economia. São várias as explicações que podem ser dadas, mas, neste texto, serão destacadas apenas três. Primeiro, ela conforma um importante e tradicional complexo agroindustrial no Estado, o qual inclui as indústrias a montante (máquinas e implementos, fertilizantes, defensivos, etc.), que fornecem insumos e bens de capital para a atividade agropecuária, e as indústrias a jusante (óleos vegetais, laticínios, calçados, etc.), que processam e industrializam produtos agropecuários. Esse complexo agrega uma série de outras atividades, especialmente as de transporte e comércio. Estima-se que o campo de influência desse conjunto de atividades atinja um patamar de mais de um quarto do PIB do RS.

Segundo, a agropecuária do RS tem apresentado uma balança comercial superavitária tanto nas transações interestaduais quanto nas internacionais, sendo responsável por, aproximadamente, um quarto de todo o saldo comercial do RS. Isso ocorre, porque, além de possuir uma boa performance exportadora, ela apresenta uma baixa dependência de importações. Como a atividade agropecuária se encontra bem distribuída no espaço geográfico, o valor de seu excedente comercial também se inclina a ser. Assim, além de contribuir diretamente para o crescimento do PIB, de acordo com os ensinamentos da teoria da base exportadora, esse excedente impulsiona outras atividades econômicas, especialmente as que se destinam a suprir os mercados locais, como é o caso da construção civil, do comércio e dos demais serviços.

Por fim, a agropecuária é a principal atividade geradora de renda de grande parte dos municípios gaúchos, especialmente dos pequenos e médios, sendo responsável por um quarto do pessoal ocupado do Estado. Uma fração dessa renda tende a ser usada nas próprias regiões, estimulando as atividades produtoras para o mercado local, como as citadas no parágrafo anterior, formando um círculo virtuoso rural-urbano nessas localidades.

Em síntese, a agropecuária continua sendo um setor importante, porque ela está fortemente interligada dentro do sistema econômico estadual. Por isso, quando ela apresenta um bom desempenho, uma série de outros setores são indiretamente beneficiados. Ademais, por ter saldo comercial positivo, injeta renda nesse sistema. Outro aspecto que a torna importante é o fato de sua produção ser mais uniformemente distribuída no espaço geográfico estadual, o que não acrescenta muito para o crescimento em si, mas o qualifica.

Por que a agropecuária continua sendo determinante

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A nova série do PIB regional

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Edição: Ano 16 nº 12 - 2007

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A recente revisão da metodologia das Contas Nacionais e Regionais adotada pelo IBGE, concomitantemente à adoção de novas bases de dados, entre as quais estão as pesquisas anuais, determinou uma modificação nos resultados já divulgados para os agregados econômicos das unidades federativas.

A utilização de fontes de dados mais atualizadas permitiu que se realçassem as dissimilaridades econômicas interestaduais, percebidas nas diferenças de ganhos ou perdas relativas em termos setoriais, sendo casos generalizados de mudança na composição da estrutura econômica das unidades federativas o aumento de participação relativa dos serviços e, por outro lado, a perda de participação da agropecuária e da indústria. Esses fatos estiveram em consonância com o que aconteceu com o País como um todo, onde o fenômeno do aumento de participação relativa dos serviços vis-à-vis aos setores da agropecuária e da indústria foi verificado.

No caso do RS, o setor agropecuário teve sua participação relativa diminuída, refletindo o que aconteceu com o Brasil como um todo. Em 2005, na série nova, essa participação foi de apenas 7,1%. No entanto, esse foi um ano atípico, de quebra de safra, em decorrência de fatores climáticos. A participação relativa da indústria gaúcha, que oscilava em torno de 40% de seu PIB, depois da adoção da nova série, chegou a cair para algo em torno de 30%. Já o setor serviços, cuja participação relativa anterior às mudanças adotadas se situava em cerca de 45%, superou agora os 60%.

A nova série do PIB regional

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Agropecuária gaúcha exporta mais em 2003

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Edição: Ano 13 nº 02 - 2004

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Em 2003, a balança comercial brasileira apresentou o maior superávit de sua história, alcançando US$ 24,8 bilhões, sendo a agropecuária a maior responsável por esse desempenho. Suas exportações cresceram 25,1%, atingindo US$ 26,7 bilhões e gerando um superávit setorial de US$ 22,7 bilhões. O Rio Grande do Sul contribuiu com vendas de US$ 3,9 bilhões, alcançando um crescimento (31,8%) maior que o nacional entre 2002 e 2003. Das exportações totais do Estado em 2003, 49% estão ligadas ao setor agropecuário, o que demonstra a força e a importância deste no comércio externo gaúcho. Enquanto as exportações totais do Estado cresceram a uma taxa de 25,7%, as vendas ligadas à agropecuária cresceram 31,8%, puxadas, principalmente, pelos produtos abaixo analisados.

A soja vem se tornando o grande produto de exportação, tanto nacional como gaúcho. Os produtos do complexo soja (grão, farelo e óleo) representaram mais de 18% das exportações totais do Estado em 2003, com crescimento de 65% nos valores exportados. Dos três produtos, a soja em grão foi de longe o produto que apresentou melhor desempenho, com crescimento de 141,2%, enquanto o farelo e o óleo, produtos estes com maior valor agregado, obtiveram taxas de crescimento bem menores. O forte crescimento das exportações da oleaginosa reflete, em boa parte, os altos preços praticados internacionalmente, explicados, fundamentalmente, por quedas na produção dos Estados Unidos e pela forte e crescente demanda exercida pelo mercado chinês sobre o produto, especialmente o grão. No caso gaúcho, as exportações da soja em grão para a China mais que dobraram em relação a 2002, sendo o destino de quase 60% das vendas externas do produto em 2003.

As exportações de carnes do Rio Grande do Sul cresceram 45,6% em 2003 sobre 2002, ainda dominadas fortemente pelas vendas de carne de frango, que chegam a representar 70% do capítulo. Entretanto a taxa de crescimento das vendas desse tipo de carne (39%) ficou abaixo da taxa da suína (58%) e da bovina (78%). Também ligados à pecuária, os couros continuaram como importante produto na pauta gaúcha, com US$ 369 milhões exportados em 2003 e crescimento de 11,4%.

Individualmente, o fumo manteve sua posição de principal produto de exportação agropecuária do Estado em 2003, embora tenha apresentado uma taxa de crescimento (8,7%) abaixo da média dos outros produtos do setor.

O contexto internacional traz boas perspectivas para 2004. Menor safra norte-americana e crescimento econômico chinês devem garantir mais um ano de bons preços e mercado para a soja gaúcha. Quanto às carnes, a gripe avícola na Ásia pode alavancar ainda mais as vendas de carne de frango para a região. E, em relação ao fumo, 2004 deve colher uma safra recorde, fato que, aliado à queda de produção dos principais concorrentes, poderá repercutir em maiores vendas externas.

Agropecuária gaúcha exporta mais em 2003

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