Textos com assunto: agronegócio

Perspectivas para a agricultura gaúcha em 2017

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Edição: Ano 25 nº 11 – 2016

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A importância da agricultura para o desempenho da economia gaúcha é amplamente reconhecida. Há quatro safras, a produção de grãos no RS mantém-se em patamares historicamente elevados, apesar da ocorrência de adversidades climáticas localizadas. No momento em que se inicia a colheita do trigo e avança o plantio das principais culturas temporárias de verão, intensificam-se os questionamentos acerca da dimensão e da rentabilidade da próxima safra no Estado (2016/17).

Em termos mundiais, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta que o próximo ano comercial será marcado por um crescimento da oferta de grãos superior ao da demanda. Além da soja, principal produto agrícola do RS, há expectativa de elevação nos estoques mundiais de milho, arroz e trigo. Atualmente, as safras norte-americanas de soja e milho estão em fase final de colheita, e as estimativas apontam recordes de produção (116 e 382 milhões de toneladas respectivamente, segundo o USDA). Até o momento, o esperado crescimento da produção e dos estoques mundiais não gerou quedas expressivas nos preços da soja, no mercado futuro.

Algumas características do mercado da soja podem ser destacadas para explicar essa sustentação dos preços. Nos Estados Unidos, a infraestrutura de armazenagem e transporte permite um melhor planejamento das estratégias de comercialização. Isso implica dizer que a decisão de venda se subordina mais às percepções de mercado dos agentes (oportunidades de negócios) do que às condições logísticas (restrições de infraestrutura). Outro aspecto a se destacar é que a safra sul-americana ainda não está “precificada” pelo mercado, pois se encontra em fase de plantio. Não obstante também se espere um recorde de produção na América do Sul, alguns meses separam a previsão do início da colheita nos países sul-americanos (janeiro de 2017). Nesse intervalo, o risco climático permanece, o que constitui fonte de incerteza para os preços. Quanto mais provável se tornar a confirmação de uma supersafra mundial de soja, maiores serão as pressões para a queda dos preços futuros e vice-versa. Esses são fatores elementares para a formação do preço recebido pelos sojicultores gaúchos na próxima safra, que também dependerá da taxa de câmbio e das condições de demanda.

Os fundamentos que sustentam o crescimento da demanda externa da soja são mais concretos e sujeitos a um grau menor de imprevisibilidade. A expectativa do USDA é de que as importações mundiais continuem crescendo (3,5%). Mesmo com a desaceleração econômica, a demanda chinesa pela soja continua grande em função da necessidade de converter uma quantidade crescente de proteína vegetal em proteína animal para atender a uma população com hábitos mais urbanos.

Em se tratando da próxima safra no RS, a Emater-RS e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) foram as primeiras instituições a divulgar estimativas de produção e área plantada para os principais grãos de verão (soja, arroz, milho e feijão). Apesar das diferenças metodológicas e da grandeza dos números, as projeções convergem para um cenário de menor expansão e/ou estabilidade da área plantada de soja e de ampliação do cultivo de milho e de arroz (ver tabela). A expansão da área de milho deve ocorrer principalmente em substituição a áreas de soja na mesorregião Noroeste. Talvez a principal explicação para esse movimento, não observado há quatro safras, seja a lembrança de preços altamente remuneradores aos produtores de milho no primeiro semestre de 2016. Contudo, é pouco provável que em 2017 se repita um quadro similar ao observado no último ano. Com a confirmação da supersafra norte-americana e a recomposição dos estoques mundiais, tende a haver menor pressão externa para a aquisição da primeira safra brasileira de milho. Além disso, o fim das retenciones argentinas à exportação de milho tornou o produto do país vizinho uma alternativa mais barata de abastecimento em momentos de restrição temporária da oferta. A Emater-RS e a Conab também convergem ao projetar uma redução da produtividade das culturas da soja, do milho e do feijão e uma alta na do arroz. No entanto, não há sintonia na determinação da variação da produção de milho.

É importante ressalvar que nesse momento qualquer estimativa de produtividade e produção agrícola está sujeita a uma ampla margem de erro, dados o estágio inicial do ciclo produtivo das culturas analisadas e o risco climático envolvido. Apesar do crescimento relativo dos últimos anos, a área irrigada de grãos de sequeiro no Rio Grande do Sul ainda é pequena, o que torna o desenvolvimento dessas culturas extremamente vulnerável à falta de chuvas por períodos prolongados. Os efeitos das estiagens de 2004/05 e 2011/12 na produtividade agrícola e suas repercussões econômicas são provas disso e permanecem na memória dos gaúchos. Isso evidencia a necessidade de incentivo à redução dos riscos inerentes à atividade agropecuária por meio da irrigação, da adoção de práticas conservacionistas ou da melhoria dos instrumentos financeiros de proteção à renda agrícola.

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Como citar:

FEIX, Rodrigo Daniel. "Perspectivas para a agricultura gaúcha em 2017," em Carta de Conjuntura FEE. [visto em 24 de junho de 2017], disponível em: <http://carta.fee.tche.br/article/perspectivas-para-a-agricultura-gaucha-em-2017/>.

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O que há de novo no Plano Safra 2003/2004?

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Edição: Ano 12 nº 07 - 2003

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O Plano Safra 2003/2004, anunciado em junho pelo Governo Federal, aumentou os recursos totais do crédito rural em 25,8% e manteve a taxa de juros dos empréstimos nos mesmos 8,75% anuais da safra anterior, embora a parcela dos empréstimos concedidos a essa taxa tenha diminuído de 86% para 82%. Tais medidas, num momento de crédito escasso e taxa Selic em 26% ao ano, demonstram o reconhecimento, por parte do Governo, da importância do agronegócio para a geração de renda e divisas para o País. Dentre as novidades do Plano, as principais dizem respeito à valorização dos recursos destinados a investimento, ao incentivo à produção de alimentos básicos e à recomposição dos estoques públicos.

Com o objetivo de incentivar a modernização e a competitividade do setor, os recursos para investimento cresceram 24,2%, com a manutenção da taxa de juros fixa em 8,75% para a maioria dos empréstimos. Os programas de investimento a cargo do BNDES, aumentados em 41,3%, foram reagrupados, sendo possível, a partir desta safra, a redistribuição dos recursos entre eles, de acordo com a demanda, o que, certamente, favorecerá a efetiva aplicação dos mesmos. O Moderfrota, de reconhecido sucesso em anos anteriores, teve seus recursos dobrados, de R$ 1 bilhão para R$ 2 bilhões. Entretanto alterações nas taxas de juros e nas faixas de renda deixam o Programa menos atraente: de 8,75% (até R$ 250 mil) e 10,75% (acima de R$ 250 mil) em 2002 para 9,75% (até R$ 150 mil) e 12,75% (acima de R$ 150 mil) em 2003. A agricultura familiar com renda acima da estabelecida pelo Pronaf poderá obter recursos para investimento em capital fixo através do Proger Rural, um programa com recursos de R$ 600 milhões e taxa de juro menor (7,25%) que a da safra passada (8,75%).

O índice de preços pagos pela agropecuária — calculado pela FGV — cresceu 37,7% entre março de 2003 e março de 2002, o que poderia evidenciar uma necessidade de recursos para custeio e comercialização acima do aumento de 16,8%. Entretanto o índice de preços recebidos pelos agropecuaristas, durante o mesmo período, cresceu 53,3%, permitindo uma capitalização capaz de amenizar a necessidade de recursos públicos.

Mas, se, por um lado, os recursos totais de custeio e comercialização não aumentaram tanto, os limites de crédito e os preços mínimos tiveram crescimentos mais expressivos, como forma de incentivo à produção de alimentos básicos e à recomposição dos estoques públicos. Sendo assim, o Governo aumentou os limites de empréstimo por produtor em 60% para o milho — produto este que já vinha sendo alvo de política específica desde a safrinha, com o Governo buscando incentivar seu cultivo, que vem perdendo área para a soja, produto de maior liquidez — , em 33% para o arroz, o feijão, a mandioca e o trigo e em 50% para o leite. Os preços mínimos foram reajustados de acordo com as variações dos custos e dos próprios preços de mercado, novamente com ênfase maior nos produtos básicos.

Tais medidas têm como objetivos a obtenção de uma maior oferta de alimentos para fazer frente a demandas desencadeadas por programas sociais do Governo, bem como evitar pressões inflacionárias. Aliado a isso, o Governo pretende recompor os estoques públicos, hoje praticamente zerados, como forma de aumentar seu poder sobre a determinação dos preços e da oferta. Para tanto, o Governo pode voltar a fazer compras diretas a preços de mercado através da Conab.

O que há de novo no Plano Safra 2003 2004

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Expointer reflete avanço do agronegócio no Brasil

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Edição: Ano 21 nº 10 - 2012

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Os recordes de comercialização de máquinas agrícolas alcançados durante a Expointer refletem as mudanças que atravessa o campo brasileiro desde a última década. Durante a Feira, foram vendidas 6.550 unidades de máquinas agrícolas, correspondentes a R$ 2,02 bilhões e a um crescimento de 146% em relação a 2011. No caso das máquinas produzidas no Estado, o atendimento dessas encomendas levará à ampliação da utilização da capacidade instalada, pelo menos até o mês de fevereiro, e à provável contratação de até 15 mil trabalhadores (Sindicato das Indústrias de Máquinas e Equipamentos Agrícolas do RS-SIMERS). Cabe destacar o aumento da demanda por equipamentos para irrigação e por máquinas para agricultura de precisão — estas apresentando vantagens quanto ao menor porte e maior adequabilidade às alterações climáticas, cada vez mais frequentes.

Para o RS, um dos principais produtores brasileiros de máquinas agrícolas, essas vendas trouxeram um pouco de otimismo, tendo em vista a queda das encomendas verificada nos meses anteriores. Tais perdas decorreram das fortes secas que assolaram o Estado durante a safra 2011/2012 e que afetaram sobremaneira o desempenho da economia gaúcha no primeiro semestre do ano em curso. No Brasil, a venda de equipamentos para a agricultura e a expansão do agronegócio já vem se constituindo num dos principais fatores de crescimento do PIB, sendo que as vendas registradas na Expointer apenas reforçam essa tendência ascendente. Em 2011, a participação do agronegócio no PIB brasileiro atingiu 22,5% contra 21,8% em 2010 (CEPEA/USP).

De fato, à ampliação da venda de máquinas agrícolas pode se acrescentar a compra de terras por grandes multinacionais e as previsões de construção de equipamentos de silos e armazéns, dentre outros. Essa conclusão é confirmada pelas informações relativas à produção brasileira de bens de capital, onde se observa que, dentre os principais segmentos que compõem o setor, o de bens de capital para agricultura foi o que obteve os melhores resultados. Conforme o acumulado de 12 meses até jul./12, em relação a igual período do ano anterior, a produção de máquinas agrícolas cresceu 5,5%, enquanto a indústria de bens de capital como um todo sofreu uma queda de 6,6%. Nesse caso, é importante observar que a produção de peças para máquinas agrícolas reduziu-se em 15,2% (PIM/IBGE), revelando a significativa utilização de componentes e peças importadas. É provável, portanto, que o aumento da produção não esteja gerando efeitos positivos sobre a difusão de tecnologia, nem a geração de novas atividades no interior dessa cadeia produtiva, no Brasil.

Outro elemento a ser destacado se refere ao fato de que os equipamentos comercializados na Expointer não são oriundos apenas do RS, nem estão voltados somente para o agronegócio estadual, embora seja indiscutível que, no curto prazo, essas vendas terão efeitos positivos sobre a produção tanto estadual quanto nacional desses bens. A queda da taxa de juros da economia contribuiu significativamente para o financiamento da aquisição de equipamentos. Destacam-se a redução das taxas cobradas nos financiamentos do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) e, principalmente, do Programa Moderfrota. Ademais, a expansão da renda dos produtores rurais, decorrente da elevação dos preços dos produtos agrícolas no mercado mundial, está sendo um fator decisivo no aquecimento da demanda interna por máquinas agrícolas.

No que tange às tendências de longo prazo, faz-se necessário efetuar algumas reflexões sobre a orientação dos investimentos internacionais nesse domínio. A economia brasileira vem se afirmando como fornecedora mundial de commodities agrícolas e agroindustriais e, por essa razão, atraindo um grande volume de investimentos para essas atividades. Nota-se que esse movimento tem favorecido a ampliação da capacidade produtiva de máquinas agrícolas no Centro-Oeste, em São Paulo e no Paraná. No RS, ao contrário, há uma tendência de saída e/ou desativação de algumas unidades produtivas. É o caso da John Deere e da AGCO, que estão abrindo novas fábricas na Argentina e desativando parte da produção do RS, devido às barreiras comerciais estabelecidas por aquele País.

A expansão do agronegócio, da forma como vem se configurando no Brasil, se afirma há pelo menos uma década e vem contando com forte apoio governamental. Essa aprovação se manifesta também através das políticas de melhoramento da infraestrutura, contidas nas obras do PAC, e de alteração da legislação ambiental, como é o caso do controvertido novo código florestal. Um dos objetivos dessas políticas é melhorar as condições para a expansão da monocultura exportadora, para a produção de etanol e de matérias-primas agroindustriais (como é o caso da celulose).

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Balança comercial do agronegócio gaúcho

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Edição: Ano 13 nº 07 – 2004

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De janeiro a abril de 2004, as exportações do agronegócio (produtos in natura e industrializados derivados da agropecuária) representaram 62,9% do total exportado pelo RS, enquanto as importações do agronegócio pelo Estado, no mesmo período, representaram apenas 9,88% do total importado. Já o saldo comercial do agronegócio foi maior que o saldo comercial total do Estado, confirmando o RS como uma região caracteristicamente exportadora de produtos do agronegócio, pois a balança comercial das demais mercadorias foi deficitária no período em análise, e esse tem sido o comportamento habitual do comércio externo gaúcho, conforme se observa na tabela. Ou seja, são as exportações do agronegócio gaúcho que sustentam o saldo comercial positivo do Estado.

A participação do agronegócio nas exportações gaúchas poderia ser ainda maior, não fossem as inúmeras barreiras tarifárias e não tarifárias impostas aos produtos agrícolas em todo o mundo, especialmente às commodities tradicionais. A agropecuária é o setor mais protegido na maioria dos países, e as barreiras dão-se através de tarifas elevadíssimas, subsídios domésticos e de exportação, cotas de importação e restrições técnicas, sanitárias e fitossanitárias, sendo raras as oportunidades de se promoverem alterações concretas nessas barreiras. Tanto na Organização Mundial do Comércio (OMC) quanto nos acordos da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) e da União Européia-Mercosul, a resistência para se reduzirem os entraves ao comércio de produtos da agropecuária tem sido muito grande, e os maiores parceiros comerciais, nesses dois acordos, têm pressionado apenas por reduções tarifárias, quando, atualmente, a maior dificuldade encontrada pelo setor tem sido em relação às barreiras não tarifárias.

Os principais produtos do agronegócio exportados pelo Estado em 2003 foram: calçados de couro; soja em grão; fumo; farelo de soja; óleo de soja; carne de frango e de suíno; pasta química de madeira; couros; móveis de madeira; madeira; proteína de soja; carne em conserva; extrato tanante; maçã; mate; e milho. Dentre as principais mercadorias do agronegócio importadas pelo RS no ano passado, destacaram-se: trigo; couros e peles; arroz; cevada cervejeira; cebola; leite em pó; pasta química de madeira; painéis de madeira; fumo não manufaturado; vinho; e papel para escrita.

Os produtos do agronegócio que registraram as maiores diferenças, em valores absolutos, entre suas exportações e suas importações foram: calçados de couro; fumo; soja em grão; carnes; farelo de soja; couro; óleo de soja; e móveis de madeira; o que os caracteriza como tendo boas oportunidades de inserção no comércio internacional, além de se incluírem entre aqueles que mais contribuíram para o superávit comercial do Estado. Por outro lado, os maiores déficits comerciais, em valores absolutos, do agronegócio gaúcho em 2003 foram ocasionados por cereais (trigo em particular); produtos hortícolas; bebidas; papel e cartão; borracha natural; leite e laticínios; todos com suas importações muito superiores às suas exportações.

Pode-se ainda destacar, no agronegócio gaúcho, que algumas mercadorias apresentaram altos índices de comércio intra-industrial em 2003, indicando um forte intercâmbio bilateral, já que os valores exportados e os importados, nesse caso, registraram cifras aproximadas. Dentre esses produtos, alguns apresentaram índice de comércio intra-industrial acima de 75%, como foi o caso de produtos da indústria da moagem (83,9%); algodão (82,5%); plantas vivas (77,2%); e papel e cartão (75,7%).

Balança comercial do agronegócio gaúcho

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O Rio Grande do Sul destaca-se em investimentos no agronegócio

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Edição: Ano 13 nº 05 - 2004

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Os anúncios de investimentos em 2003 consolidados pelo BNDES, quando examinados por setor, projeto e unidade federativa, permitem observações interessantes. Uma delas é a de que os setores do agronegócio que vêm sendo altamente dinâmicos e agressivos com relação ao mercado externo e que passaram por um profundo processo de reestruturação patrimonial e internacionalização — soja, açúcar e álcool e bebidas — concentram 67% do volume de investimentos (soja e açúcar sozinhos respondem por 52% das decisões de investir). Além do mais, evidencia-se uma grande concentração de recursos em poucos projetos, pois 8,6% do total dos relacionados somam 35% dos investimentos anunciados.

Em termos espaciais, o Rio Grande do Sul concentra e divide com São Paulo as decisões de investir e lidera os megainvestimentos com projetos nas áreas de soja e bebidas. Na soja, trata-se de um grande investimento de multinacionais (consórcio Bunge/Dupont) para a expansão da produção de proteínas concentradas destinadas ao mercado internacional, produto da transformação industrial incomparavelmente mais nobre que o próprio óleo, cujas exportações brasileiras são praticamente realizadas pelo estado gaúcho. Não estaria havendo uma divisão regional do trabalho na cadeia da soja, no Brasil?

O Rio Grande do Sul destaca-se em investimentos no agronegócio

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RS: é segundo na exportação do agronegócio

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Edição: Ano 12 nº 03 - 2003

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Entre 1997 e 2002, o agronegócio nacional teve contribuição estratégica na obtenção das divisas necessárias ao enfrentamento do desequilíbrio externo. Segundo dados do Ministério da Agricultura, cerca de 42% das exportações totais do País foram geradas pelo setor no período. O Rio Grande do Sul teve papel destacado, ocupando o segundo lugar entre os estados, com uma participação média de 17,8% nesses anos e de 17,3% em 2002.

A parcela do agronegócio nas exportações totais do Estado gira em torno de 68%, maior que a média do Brasil. A concentração da pauta também é maior no RS do que no País. Os cinco principais produtos (calçados, fumo, carnes, soja em grão e farelo de soja) representam cerca de 74% no RS e apenas 47% no Brasil, na média dos anos entre 1997 e 2002.

Ao contrário do País, que, durante o período de estudo, apresentou modificações na pauta dos cinco principais produtos exportados — sendo a mais importante a substituição do café pela soja como o principal item gerador de divisas —, o RS manteve a sua relativamente rígida, com os cinco primeiros produtos mantendo-se, basicamente, os mesmos entre 1997 e 2002.

A emergência da soja na pauta nacional confere ao produto grande importância no agronegócio brasileiro. O estado gaúcho, porém, tradicional exportador do grão, teve de enfrentar concorrência interna, notadamente do Mato Grosso e do Paraná. Durante o período, perdeu participação nas vendas externas da soja em grão, de 12,7% para 11,4%, e do farelo de soja, de 21,0% para 14,8%. Do mesmo modo, as carnes exportadas pelo RS caíram de 20,7% em 1997 para 16,7% das vendas nacionais em 2002, por causa da presença crescente de produtores do Paraná, de São Paulo e, principalmente, de Santa Catarina. Deve-se ressaltar que essas perdas de participação do RS refletem um aspecto estrutural e outro conjuntural. No primeiro, a expansão da soja no Centro-Oeste é irreversível em função da incorporação de novas áreas e com maior produtividade. No segundo, a retração das exportações de carnes refletiu a incidência da febre aftosa no Estado, bloqueando as vendas para o mercado externo, espaço ocupado por Santa Catarina. Debelada a doença, as exportações de carnes bovina e suína deverão crescer novamente.

Em meio a esse quadro, o RS conseguiu manter o segundo lugar, em função das exportações de calçados (85% das vendas nacionais no ano passado) e do fumo (88%), produtos que não sofrem significativa concorrência dos demais estados. Os dois produtos representaram cerca de 45% do valor exportado do agronegócio em 2002 pelo Estado.

Santa Catarina e Mato Grosso conseguiram aumentar suas participações graças às exportações de carnes, no primeiro caso, e de soja, no segundo. Os demais estados mantiveram suas posições, com exceção de Minas Gerais, onde ocorreu redução nas vendas de café. São Paulo manteve o primeiro lugar, com exportações baseadas no açúcar e no suco de laranja.

RS é segundo na exportação do agronegócio

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